Diversidade

P&G dá licença-paternidade a funcionária para atender demanda de casal LGBT

por: Kauê Vieira

O caso de Samira Capela, líder de logística da P&G de São Paulo, mostra como o conceito de licença-paternidade ganhou novos contornos no século 21. E isso tem tudo a ver com o debate sobre outros métodos de relacionamento e como a construção da identidade de gênero está mudando. 

– Casal homossexual brasileiro consegue licença paternidade de 6 meses

A jovem é casada com Ediane Moraes Capela, que trabalha no Aeroporto de Guarulhos, também em São Paulo. Há algum tempo, o casal descobriu que esperava um filho, na verdade uma menina.

Samira ressalta a importância de acompanhar a esposa no puerpério

A gestação de Ediane, que engravidou via inseminação artificial, trouxe para dentro do ambiente corporativo um assunto importante: as licenças para mães e pais contemplam casais homoafetivos? Depois de receber a informação de que uma das funcionários teria uma filha, a empresa decidiu dar o mesmo prazo para Samira do que seria oferecido para um homem. 

O Hypeness conversou com ela, que ressaltou a importância de poder passar mais tempo em casa e auxiliar a esposa a assimilar essa enxurrada de novidades. 

Foi muito bom poder ficar em casa com ela, ajudar na rotina dos cuidados pós-operatórios, com a sua alimentação e com a rotina da casa. Não temos parentes em Campo Limpo Paulista, então, somos somente nós duas e a bebê. Além disso, esses primeiros dias foram fundamentais na minha relação e na conexão com a minha filha. Com essa proximidade, ela poder me conhecer, reconhecer e tudo o que envolve o início dessa relação. 

– Espanha aumenta licença-paternidade remunerada para 8 semanas

Samira explica que o processo de licença-paternidade correu de forma tranquila desde o início. Ela conseguiu ficar em casa por 20 dias, já que a P&G faz parte do ‘Programa Empresa Cidadã’, que amplia de 5 para 20 dias o período de afastamento. 

“Sempre fui muito bem recebida pelos meus superiores e colegas de trabalho e, nesse caso, não foi diferente. Procurei o RH da P&G, informei que minha esposa estava grávida e a partir daí o processo foi bastante tranquilo, o  retorno sobre o meu pedido veio rapidamente e a P&G entendeu que eu deveria ter o mesmo período de licença que os demais pais que trabalham na empresa. Com isso, tive 20 dias junto da minha esposa e da minha filha”. 

O simbolismo de assumir uma relação homoafetiva em um país com níveis assustadores de homofobia é por si só a compreensão do tamanho da diversidade e de seu poder de transformar realidades. O ambiente de trabalho de Samira não nos deixa mentir. 

“A diversidade é fundamental para que as pessoas possam encarar de forma madura as diferenças. Além disso, há ainda as vantagens que se pode obter pela troca e colaboração entre pessoas que representam as mais diversas etnias, gêneros e necessidades. Na P&G me sinto muito acolhida e respeitada. Não percebo qualquer diferença no modo como me tratam”, pontua. 

Empatia 

O que diz a lei? É direito da mãe passar pelo menos 120 dias de licença no setor privado. Companhias cadastradas no programa ‘Empresa Cidadã’ como a P&G conseguiram extensão do prazo para até 180 dias

Ainda não existem leis específicas para união entre pessoas do mesmo sexo. Portanto, as mesmas determinações aos casais heterossexuais se aplicam aos casamentos homoafetivos. Mais, o direito a família não fala em homem ou mulher

O direito a família é para todos. Não importa a orientação sexual

Samira e Ediane apostam no processo humanizado de licença. Não importa a orientação sexual, “acredito que a presença e suporte são positivos para a mãe e faz toda a diferença para o bebê”, pontua. “Somos muito gratas por eu ter tido essa licença-paternidade porque pude ajudá-la com os cuidados com a bebê, o pós-parto e com a alimentação”, adiciona. 

“Claro que sempre gostaríamos de ficar mais tempo com a nossa família, ainda mais nesse momento em que temos a chegada de um filho. Consegui me organizar para ter férias no período em que minha filha nascesse, então, fiquei 40 dias em casa. Esse período foi muito importante para ajudar minha esposa na construção da rotina com a bebê e na sua recuperação do parto. Nesse caso, o mais importante para mim foi ter o benefício da licença-paternidade e não tanto o período em si”, complementa. 

Trocando em miúdos, o tempo anda para frente, mesmo com todos os preconceitos que insistem em fazer parte do convívio social. O sucesso e a satisfação de histórias como esta contada pelo Hypeness reforçam a teoria. Aqui pra nós, que empresa não quer ter em seus quadros funcionárias felizes? 

“A P&G tem um pilar forte de inclusão e está sempre em busca de melhorar as iniciativas que priorizem o bem-estar dos seus funcionários. Hoje por exemplo, além dos 20 dias de licença paternidade remunerada, todos os funcionários, independentemente do tempo de casa, têm a opção de retirar licença não remunerada ou exercer jornada parcial por até 6 meses, com garantia de emprego. Pensando nas outras empresas, entendo que quanto mais se falar sobre isso e trazer essa discussão à tona, mais as pessoas enxergarão a relevância e a diferença que essa atitude faz no âmbito familiar e também na satisfação dos funcionários. Torço para que seja uma questão de tempo para que o mercado como um todo se conscientize cada vez mais dessa necessidade”, amarra Samira Capela. 

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Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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