Roteiro Hypeness

Berro! Burgay chega com pão de glitter e muita representatividade LGBT+

por: Gabriela Rassy

Que camemberro eu dei quando comecei a ler o cardápio da Burgay, a hamburgueria cheia de representatividade LGBT+ que abriu em São Paulo. E não é exclusivamente comigo essa emoção toda. Não conheço uma pessoa que não tenha se divertido horrores lendo os criativos nomes dos lanches deste delivery em expansão.

Não precisa ser um exímio conhecedor da cultura pop para entender as sacadas. O “Bey.con lemonade” maravilhoso faz referência a diva suprema Beyoncé e seu último álbum Lemonade. Na descrição, além do burger e do crispy bacon bites, um singelo “all the single queijo” já explica que a fatia de queijo pratoh vem em ato solo, tudo acompanhado de maionese de limão siciliano para militar muito no rolê. Quem aguenta?

Nas opções carnívoras ainda estão “Brie.tney”, “Gor.Gween.Zola” e “Cher.ddar”, cada uma com sua diva e seu queijo próprio. Os vegês não ficam de fora com Grão de Beesha, Soja Bem Caminhoneira e o Camemberro! Ah, vale pedir sua Ceboline Dion caramelizada ou Pablitos fritíssimos de mozzarela para acompanhar.

My love don’t cost a burger. Ou custa?

Com o título de “hamburgueria mais gay de São Paulo”, a Burgay mal abriu as portas e já é um estouro. Criada por Rafael Lundgren, que deixou o audiovisual depois de uma série de mudanças legislação, cortes e paralisação da Ancine, a história toda começou por um motivo mais do que justo: as boletas sabem onde moramos.

“Fiquei uns meses parados e tinha que pensar em alguma alternativa”, conta Rafael. Como sempre gostou de cozinhar e já fazia hamburgadas elogiadas pelos amigos em casa, ele decidiu vender seus quitutes. Abriu um MEI, se cadastrou numa plataforma de entregas e foi para a cozinha. Mas as coisas começaram a tomar proporções maiores.

A síndica não estava gostando nada daquela quantidade de motoboys entrando e saindo do prédio, daí pediu para Rafa dar aquela segurada. “Fiquei um pouco triste com a notícia, mas por outro lado foi eu que me impulsionou a crescer procurar um ponto”.

O que era para ser um ponto de delivery, em meio à Rua Cardeal Arcoverde, foi se tornando um espaço que as pessoas queriam conhecer e estar. Em poucos meses, a frente do balcão de pelúcia rosa ganhou cadeiras de praia para quem quisesse provar os lanches por ali mesmo.

Sucessoh

Mesmo não sendo sua área original de trabalho, Rafael sabia que o sucesso estava garantido. “A gente não entra para perder, né, mana?”, disse. Mas mais do que isso, a história toda é uma questão de representatividade. “Eu tenho consciência de que existe uma necessidade de empreendimentos LGBTQIA+ no Brasil e quanto mais eles aparecem, mais o público valoriza por se sentir representado”, explica.

E como a comunidade LGBT+ reagiu? Com um grande berro, claro! Rafa conta que todo mundo ficou (e ainda está) ensandecido. As pessoas piram no cardápio, principalmente fãs das cantoras, mas ainda tem os apaixonados por quem ficou de fora que pedem suas divas no menu.

Rafael garante que cada uma vai entrar, mas de forma sazonal, para sempre ter novidades. Então a galera da Mariah Carey, Christina Aguilera, Demi Lovato e Taylor Swift podem ficar sossegadys que já já elas dão pinta por ali.

Com tanto sucesso, qual será o futuro da Burgay? “A ditadura gay começou, a gente pretende dominar o mundo sim”, brinca Rafael. “A ideia é que todo mundo vista rosa não só às quartas-feiras, né, mana? Que seja uma coisa diária. É o que a gente espera para um mundo melhor”.

Os planos de expansão estão voando. As vendas já quadruplicaram desde a inauguração e agora Rafa pretende abrir um espaço maior para receber todo mundo. Depois de alugada, a casa deve passar por uma obra para deixar o lugar esteticamente com a cara da Burgay.

Pr’além de divertido e consciente, os lanches da Burgay são lindos, beeeem trabalhados no pão rosa com glitter, e deliciosos. Estamos animadas e não é à toa. Para provar, só chegar no pequeno balcão da Cardeal Arcoverde, 564, ou pedir pelo iFood. Bring my burger!

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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