Debate

Cineasta pornô cria projeto para incentivar pais e filhos a conversarem sobre sexo

por: Yuri Ferreira

Segundo dados da ONG Internet Safety 101, um terço de todo o conteúdo na internet é pornografia. Os sites pornográficos reúnem mais visitas mensais que o Twitter, a Amazon e o Twitter juntos. O vício em pornografia tem aumentado cada vez mais com o avanço da internet, e isso não tira as crianças da jogada.

Ilustrações do site “The Porn Conversation”

Por isso, a diretora de conteúdo pornográfico Erika Lust, que revolucionou a indústria com diversos filmes de cunho feminista, está começando um projeto chamado “The Porn Conversation”. A intenção do conteúdo é guiar pais com filhos com mais de 9 anos de idade para conversar sobre a influência do material pornográfico nas nossas vidas e também adicionar reflexões sobre educação sexual, tema que Erika defende ser discutido em casa.

– Já ouviu falar de antipornografia?

“Uma das minhas maiores preocupações é com a educação sexual. Filmes eróticos deveriam ser assistidos por quem tem mais de 18 anos, como forma de entretenimento, não como educação sexual. A realidade é que muitos adolescentes são expostos à pornografia bem antes, e isso se torna um problema quando eles não têm acesso a fontes decentes de informação sobre o assunto”, afirmou Erika em uma entrevista à revista Bazaar.

Para Erika Lust, educação sexual é essencial para a infância

Erika sempre buscou conscientizar as pessoas ao falar sobre a indústria pornô e tem como objetivo de sua produção criar uma nova percepção pornográfica. Seus ensaios fotográficos são cheios de personalidade mas, ao mesmo tempo, buscam sempre criar uma reflexão acerca de nossa sexualidade e do material imagético que consumimos para nosso prazer.

– A pornografia feminista de Erika Lust é um arraso [NSFW]

O conteúdo do “The Porn Conversation” está disponível apenas em inglês, mas a intenção da conversa é simples: esclarecer que a pornografia não serve para ensinar o que é sexo, demonstrar que consentimento entre as partes é essencial para qualquer relação sexual e que não é um problema se sentir excitado por pornografia, mas que é importante saber que aquilo não é real.

– Casal compartilha vida sexual em vídeos pra mostrar que realidade não tem nada a ver com pornografia

Eles copiam comportamentos, linguajar e atos dos filmes e acreditam que esse é o jeito de se fazer. A maioria assiste o pornô mainstream gratuito, porque são os de mais fácil acesso. Muitos desses filmes são imensamente problemáticos e misóginos, perpetuam a ideia de que as mulheres estão sempre disponíveis para sexo, normalizam comportamentos violentos e degradantes”, adicionou Lust à Bazaar.

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Fotos: Reprodução/The Porn Conversation


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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