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Wagner Moura fala de ‘Wasp Network’, filme sobre espiões cubanos nos EUA

por: Janaina Pereira

Wagner Moura, que este ano estreou como diretor no Festival de Berlim com o elogiado Marighella (que teve seu lançamento no Brasil, previsto para 20 de novembro, cancelado), brilhou também na 76ª edição do Festival de Veneza, mas dessa vez como ator. Ele está no estelar elenco latino de Wasp Network, do diretor e roteirista francês Olivier Assayas, ao lado da espanhola Penélope Cruz, do venezuelano Edgar Ramirez, do mexicano Gael García Bernal , da cubana Ana de Armas e do argentino Leonardo Sbaraglia.

A trama, baseada no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, do escritor brasileiro Fernando Morais, conta a história real dos Cinco de Cuba, grupo infiltrado nos movimentos anticastristas nos Estados Unidos, mais precisamente em Miami. O filme concorreu ao Leão de Ouro em Veneza, mas dividiu as opiniões: enquanto alguns críticos acharam um ótimo thriller de espionagem, outros apontaram o roteiro como bastante confuso.

Wasp Network se passa nos anos 1990, quando o governo de Cuba decidiu instalar um grupo de espiões em Miami, para assim combater movimentos locais que tentavam desestabilizar e derrubar Fidel Castro. Wagner Moura interpreta Juan Pablo Roque, um dos pilotos cubanos que faz parte deste plano de espionagem.

“Cuba foi uma profunda inspiração para todos os revolucionários latino-americanos. A Revolução Cubana aconteceu em 1959, e logo em seguida a CIA (Agência de Inteligência Americana) apoiou os golpes de estado em países como o Brasil, o Uruguai, o Chile e a Argentina”, disse o ator em sua passagem por Veneza.

Para Moura, que esteve em Cuba pela primeira vez para as filmagens do longa, os revolucionários na América do Sul, incluindo Marighella, tinham os cubanos como referência. “Acredito que Cuba e o Vietnã foram nossas inspirações”.

O ator também observou que os esforços dos espiões cubanos para minar as operações contra seu país tiveram grande importância.  “Se você pensar na quantidade de atentados terroristas contra Cuba que eles conseguiram evitar, verá que valeu o sacrifício”.

Se o livro aprofunda a história dos cinco espiões – a partir de entrevistas que Fernando Morais fez com eles, durante quase dois anos – o filme prefere focar no personagem René Gonzalez (vivido por Edgar Ramirez, da série Carlos, o Chacal), que fugiu para os Estados Unidos abandonando a mulher (Penélope Cruz) e a filha. O cineasta Olivier Assayas  – premiado no Festival de Cannes em 2016 como melhor diretor pelo filme Personal Shopper, estrelado por Kristen Stewart – explicou que a adaptação foi bem difícil, e justificou suas escolhas. “Muito do que criamos veio do livro, mas não usamos necessariamente a narrativa dele”, disse, acrescentando que não conheceu Fernando Morais durante o processo de filmagem.

Produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, Wasp Network abriu a 43ª Mostra de Cinema de São Paulo, e teve sessão no dia 18 (com a presença do diretor Olivier Assayas, que está no Brasil especialmente para o evento). O filme ainda não tem data de estreia no circuito comercial.

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Fotos: La Biennale di Venezia / Divulgação


Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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