Criatividade

E se o seu exame de fim de ano fosse sobreviver em uma ilha remota e deserta no Alaska?

por: Vitor Paiva

Para muitos estudantes, enfrentar os livros e as horas de estudo ao fim do ano, para conseguir a aprovação em uma matéria difícil como as ciências é experiência de vida ou morte – de tal forma que alguns prefeririam estar na natureza selvagem, lidando com animais e com as dificuldades da sobrevivência na selva a ter de realizar o exame formal. Na escola Schoenbar Middle School, no estado do Alaska, nos EUA, isso é uma realidade – ou melhor, essa é a prova final de ciências: atravessar por dois dias e duas noites em ilhas inabitadas na costa do Alaska com somente kits de sobrevivência e seus conhecimentos científicos.

No último mês de maio, 103 estudantes da escola da cidade de Ketchikan foram transportados até seis ilhas pela guarda costeira carregando não muito mais do que um saco de dormir, roupas e outros poucos utensílios, como canivetes, fósforos e arroz – o resto precisará ser encontrado na própria natureza. Conhecida como “A Viagem da Sobrevivência”, essa “prova” já acontece há 45 anos, servindo não somente como exame final de ciências na escola, como também como uma preparação efetiva para a vida real em um cenário natural tão inclemente e selvagem quanto o do Alaska.

Alguns dos alunos encontrando alimentos para a “prova” 

O sentido do exame, porém, vai ainda mais longe, e visa ampliar o próprio método de ensino nas escolas. “Aprender deve ser divertido”, diz o educador Stephen Kinney, que desenvolveu a viagem há 45 anos. “É preciso que exista algum tipo de gancho: os alunos precisam estar envolvidos com sua própria educação”, ele diz. “Esse é um ponto crucial do processo de ensino: capturar a imaginação dos estudantes”. Para isso, desde o início a viagem visa mostrar que a própria natureza pode nos ensinar aquilo que os livros explicam. Há um processo de seleção, que analisa as notas e também o comportamento dos alunos, para saber quem poderá embarcar na viagem – que hoje contempla alunos do último ano.

Os próprios estudantes coletam material para fazer abrigos, fogueiras, e principalmente alimentos complementares (um tipo de molusco conhecido como Lapa, e abundante nas ilhas, costuma ser a proteína mais comum no cardápio dos alunos) e, assim, a própria vida se torna matéria para aprovação final no curso – como, de modo geral, a ciência deveria ser. “A educação precisa constantemente retornar ao mundo real, e conectar o que se está aprendendo com o que se está vivendo”, diz Kinney. “É por isso que a Viagem de Sobrevivência é tão bem recebida por tanta gente. Os estudantes aprendem fazendo – vendo e vivendo a vida”.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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