Sustentabilidade

Extinction Rebellion: os ativistas ‘sangue nozóio’ dispostos a parar a Europa para combater mudanças climáticas

por: Vitor Paiva

Até outubro do ano passado, o grupo ambiental Extinction Rebellion era praticamente inexistente, e começou suas atividades com um pequeno protesto diante do parlamento inglês. O gesto foi ainda discreto, mas uma presença já demonstrava o impacto que o grupo viria a ter: esse primeiro ato contou com um discurso da jovem ativista Greta Thunberg, que se tornaria estrela internacional. Em abril deste ano, porém, o grupo fez Londres parar por duas semanas, ocupando os principais pontos de trânsito da cidade, exigindo mudanças reais e imediatas diante das mudanças climáticas que ameaçam hoje o planeta. E agora o grupo está organizando um protesto muito maior – proporcional à dimensão da ameaça ambiental atual.

Bandeira do grupo em protesto em Paris

Os planos do Extinction Rebellion são globais: protestos nos EUA e em mais 60 países, por mudanças urgentes e radicais. Os métodos são antigos e eficazes, e vêm atraindo ativistas pelo mundo: parar o trânsito, colar os corpos a edifícios e trens usando supercola, e até colocar um barco em tamanho real pintado de rosa ocupando um dos mais importantes distritos comerciais da capital inglesa. O grupo é o mais barulhento do mundo atualmente, e os atos de abril em Londres terminaram com mais de mil prisões e forçando a Câmara dos Comuns a adotar uma resolução declarando o tema do clima como emergencial.

“Digam a verdade”, diz o barco rosa colocado em Londres

A estratégia, portanto, para o que está sendo chamado de “international Rebellion” (Rebelião internacional) não é reunir uma multidão cada vez maior em marchas, mas sim ativistas dispostos a utilizar o próprio corpo de forma não-violenta para atrapalhar ou mesmo interromper o mundo dos negócios de seguir em seu incessante ritmo natural. Apesar de haver poucos de nós, não podíamos aceitar a realidade de que a humanidade estava correndo em direção ao precipício da extinção sem fazer absolutamente nada a respeito. Esta é a nossa chance de realmente agir de maneira diferente”, disse o jovem ativista Robin Boardman.

Rebeldes pela vida, diz a faixa

Com 21 anos, Robin largou a faculdade para se juntar ao Extinction Rebellion. Em Londres os novos protestos já começaram, com um caminhão de bombeiros desativado espalhando sangue falso pelo prédio do Ministério do Tesouro inglês – e, desafiando a proibição de protestos em Londres, os atos já seguem há duas semanas.

Acima, ativista do grupo sendo detida pela polícia; abaixo, a escadaria do Tesouro londrino sendo limpada

Mas os planos se estendem para Baju, em Gâmbia, Buenos Aires – onde o grupo mais cresce fora da Europa -, Austrália, EUA e mais. “Eu estou preparado para ir às ruas e fazer tudo que puder para criar essa mudança. Estou preparado para ir para a prisão, se chegar a esse ponto”, disse Robin.

Método pacífico de ocupar centro da cidade

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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