Diversidade

Filho de Mauricio de Sousa sofre ataques homofóbicos e desabafa: ‘Um grito de socorro’

por: Yuri Ferreira


Mauro Sousa, diretor artístico e músico, filho de Mauricio de Sousa, criador da ‘Turma da Mônica’, desabafou em seu Instagram depois de contínuos ataques homofóbicos. Ele diz que  vem recebendo muitas ameaças desde que passou a expressar questões sobre o mundo LGBT dentro da sua vida pessoa e no seu trabalho.

“A vontade de escrevê-lo apareceu por conta das dezenas de mensagens homofóbicas que recebo todos os dias por eu abordar o assunto LGBT, seja na minha vida pessoal ou no trabalho. E elas são muitas. Muitas mesmo”, revelou Mauro, casado com Rafael Piccin, que trabalha na Maurício de Sousa Produções.

Ainda sobre as mensagens, denunciou,“há os preconceituosos indiretos, que se disfarçam de bem-intencionados com o discurso do ‘É inadequado’ ou do ‘Não é natural’, e há os bem diretos, desejando que eu ‘apanhe de arame farpado'”.

Rafael Piccin e Mauro Sousa no ‘Rock In Rio’

Mauro também trabalha na mesma empresa do pai, que produziu muitas obras com conteúdo consciente e representativo nos últimos anos. Desde a inclusão de uma família negra em suas histórias até a introdução de um personagem com deficiência, a ‘Turma da Mônica’ tem se mostrado bastante ligada nas transformações da sociedade.

Apesar da vitória nesse ano, em que o STF criminalizou a homofobia, isso não é o suficiente para acabar com o preconceito no nosso país. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, um LGBT morre a cada 20 horas vítima da LGTBFobia. Muito mais do que injúrias, a violência contra o movimento de lésbicas, gays, bissexuais e travestis no nosso país ainda exibe sua face mais malévola e violenta.

Mauro deixou claro que seu desabafo sequer se tratava dele em si, mas sim da homofobia como um todo no país.

“Este texto não é sobre mim. Este texto é sobre os milhares de LGBTs por aí que não podem escrever, que sofrem calados, que morrem espancados na sarjeta como se fossem ratos. Se eu, com todo o suporte que tenho, sou atacado e ainda me abalo, imaginem a grande maioria desamparada que não têm ninguém?”

Para finalizar, o filho de Mauricio fez um apelo aos seus seguidores. “Então, seguidores, o meu pedido é que, da mesma forma que vocês me ajudam, também se atentem às pessoas ao redor. Em especial, aos LGBTs ao seu redor. Sejam adultos ou crianças, eles podem estar precisando de um ombro amigo. E todos nós, mais do que nunca, estamos precisando nos dar as mãos e não soltar mais”, disse em seu Instagram.

Confira a postagem completa de Mauro Sousa:

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Este texto pode parecer sobre mim, mas não é. O caso é comigo, mas o foco não sou eu. Este texto é, principalmente, um pedido de ajuda (ou um grito de socorro) e ele não vem à toa. A vontade de escreve-lo apareceu por conta das dezenas de mensagens homofóbicas que recebo todos os dias por eu abordar o assunto LGBT, seja na minha vida pessoal ou no trabalho. E elas são muitas. Muitas mesmo. Há os preconceituosos indiretos, que se disfarçam de bem-intencionados com o discurso do ”É inadequado” ou do “Não é natural”, e há os bem diretos, desejando que eu “apanhe de arame farpado”. E não há pior, todos são intencionalmente cruéis – essa normalização da hostilidade me assusta demais. E como são escritos diretamente pra mim, querendo o meu mal, eu minto se disser que não me machuco sozinho. Meu primeiro impulso é recuar e apenas observar a barbárie acontecendo enquanto fico ali, perplexo, no meu “ensaio sobre a cegueira”. Mas eu tenho um escape, eu tenho o meu truque: eu posso escrever. Não que a intenção seja transformar minha rede social em um diário aberto ou um muro de lamentações (muito pelo contrário), mas é aqui que vou ser lido e acolhido por vocês, meus seguidores. Mesmo que virtualmente, vocês me reconfortam e me mantêm na trilha. E isso é bom. Mas como eu disse, este texto não é sobre mim. Este texto é sobre os milhares de LGBTs por aí que não podem escrever, que sofrem calados, que morrem espancados na sarjeta como se fossem ratos. Se eu, com todo o suporte que tenho, sou atacado e ainda me abalo, imaginem a grande maioria desamparada que não têm ninguém? Então, seguidores, o meu pedido é que, da mesma forma que vocês me ajudam, também se atentem às pessoas ao redor. Em especial, aos LGBTs ao seu redor. Sejam adultos ou crianças, eles podem estar precisando de um ombro amigo. E todos nós, mais do que nunca, estamos precisando nos dar as mãos e não soltar mais. ✏️: na ilustração da minha irmã @marinatakeda , estamos eu, ela e meu irmão @maurisousa_ , abraçados, protegidos, fortalecidos, como sempre estivemos e como todos devemos estar. #maisamor

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Foto: Reprodução/Instagram


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @yurifen.

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