Arte

Frutas podres são recriadas como jóias preciosas e o resultado é brilhante

25 • 10 • 2019 às 21:14 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Descobrir uma fruta podre é sinônimo de asco instantâneo e profunda frustração – mas, nas mãos de uma artista, pode se tornar símbolo de luxúria, riqueza, elegância e ostentação: pode se tornar uma obra de arte. Foi essa a incrível transformação semiótica e mesmo emocional que a artista estadunidense Kathleen Ryan conseguiu operar com sua nova série de esculturas, apropriadamente intitulada Bad Fruits (ou Frutas Podres, em tradução livre). No lugar de bolor e mau cheiro, pequenas gemas e pedras semipreciosas transformando o que parece estragado em um primeiro olhar em verdadeira joias.

Utilizando uma técnica similar ao pontilhismo na pintura, Ryan se inspirou nas tão características variações de cores do mofo que encontramos em frutas esquecidas para, utilizando pedras muitas vezes minúsculas, transformar o nojo em atração – criando uma verdadeira confusão de sensações para quem vê.

A base das frutas é esculpida em espuma, e as pequenas pedras de ágata, mármore, ônix, vidro e cobre, entre tantas outras, recriam a impressão da podridão. “As esculturas são lindas e prazerosas, mas há uma feiura e um incômodo que elas também trazem”, diz a artista.

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© fotos: Kathleen Ryan


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