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Países africanos enfrentam as taxas de internet mais altas do mundo, aponta relatório

por: Gabriela Glette

Você, que está lendo este texto, faz parte da metade da população mundial que tem acesso à internet. Para nós, viciados em tecnologia, é difícil imaginar que mais de 3,9 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à Internet. Grande parte desta parcela fica na África, onde os consumidores estão pagando uma das taxas mais altas do mundo pelo acesso à Internet como proporção da renda, de acordo com um novo relatório divulgado nesta semana.

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Realizado pela Alliance for Affordable Internet (A4AI) – Aliança pela Internet Acessível, o estudo avaliou 136 países de baixa e média renda para o seu Relatório Anual de Acessibilidade. Exemplos de renda média do relatório incluem Malásia, Colômbia, Índia, Jamaica, África do Sul e Gana, enquanto exemplos de baixa renda foram Nepal, Mali, Haiti, Libéria, Iêmen e Moçambique.

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O A4AI é uma iniciativa da The Web Foundation, fundada pelo inventor da Web Tim Berners-Lee, com organizações parceiras que incluem Google e Facebook. A instituição define acessibilidade como 1 GB de dados de banda larga móvel, custando não mais que 2% da renda média mensal. No entanto, a média em todo o continente africano é de 7,12% e, em alguns casos, 1 GB custa mais de um quinto do salário médio.

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Esses preços são “muito caros para todos, exceto os poucos mais ricos”, afirma o relatório, citando o custo como a principal razão pela qual 49% da população global permanece offline. Os autores do relatório argumentam que mercados e monopólios lentos são a principal causa de preços altos.

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É difícil imaginar pagar cerca de 20% do salário para consumir apenas 1 GB de internet, mas é exatamente isto o que acontece com a população da República Democrática do Congo. Por outro lado, as taxas mais acessíveis do planeta estão no Egito – a 0,5%, e nas Ilhas Maurício – a 0,59%.

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A solução

A principal recomendação do relatório é a abertura dos mercados e medidas para aumentar a competitividade: “A concorrência é essencial para os mercados de banda larga bem-sucedidos”, afirma a instituição. Entre as medidas recomendadas para aumentar a concorrência, incluem-se “regras justas para a entrada no mercado e incentivos para incentivar novos concorrentes”, como um regime de licenciamento liberal e transparente.

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O relatório também reconheceu esforços que estão transformando a vida das pessoas que antes não tinham acesso à internet. Este é o caso da Namíbia, que permitiu que novos provedores de serviços entrassem no mercado, o que gerou uma queda no preço do serviço. Não podemos falar em igualdade quando o acesso à internet ainda não é realidade de metade da população mundial. A pesquisa completa pode ser acessada aqui.

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Fotos: divulgação


Gabriela Glette
Uma jornalista que ama poesia e mora na França, onde faz mestrado em comunicação. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias.

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