Seleção Hypeness

Pedro Pacífico, do ‘Bookster’, indica livros para manter a saúde mental

por: Kauê Vieira


A literatura é parte do espectro incrível do conhecimento. O hábito de ler beneficia não apenas a sua, digamos, inteligência, mas serve para modificar conceitos, perceber que o mundo e a realidade não têm limites e manter sua saúde mental em dia. 

Aqui pra nós, você já parou pra pensar no poder que um livro exerce na sua vida? Cada título atua de uma forma diferente em nossos cérebros e espíritos. Um estudo publicado na revista Psychology Today mostra que a leitura tem potencial de provocar empatia. O livro faz com que a pessoa se coloque no lugar do outro. Só ganhos. 

A saúde mental é uma das bandeiras do Hypeness, que conversou sobre os benefícios da literatura na luta contra depressão e outras doenças provocadas pela hostilidade do ambiente social com Pedro Pacífico. O nome pode lhe parecer estranho até eu dizer que ele é o administrador do ‘Bookster’ – perfil famoso por dar dicas de leitura no Instagram. 

Pedro Pacífico tem na literatura aliada para manter a sanidade mental

Com 26 anos, o advogado é seguido por mais de 200 mil pessoas sedentas por conteúdos literários. Para atender a demanda, Pedro costuma reservar algumas horinhas no final de cada dia. 

“Quando penso nos benefícios da leitura para a saúde mental, sempre considero a leitura por prazer, aquela que você faz sem compromisso, sem ficar preocupado em absorver algum conteúdo específico ou em terminar logo a leitura. Esse é o primeiro passo e, infelizmente, vejo que muitas pessoas acabam enxergando a leitura descompromissada – principalmente a de ficção – como uma perda de tempo”, conta em troca de e-mails com o Hypeness

– ‘Privacidade Hackeada’ mostra que termos e condições da democracia viraram um jogo

Você sabe que se dedicar ao livro é um dos grandes desafios da sociedade da informação. A multiplicidade de telas suga segundos preciosos e que poderiam ser facilmente dedicados ao conhecimento de uma nova história.

Eu incorporei o hábito da leitura diária em minha rotina. Leio alguns minutos todos os dias antes de dormir e sinto que esse hábito me ajudar a desligar os pensamentos e problemas daquele dia. É um momento em que me desconecto e posso descansar um pouco. Quando fecho o livro, não tem erro: durmo logo na sequência. Se por algum motivo acabo tentando dormir sem ler, sei que vou demorar bem mais e que meus pensamentos vão ficar girando em um ritmo de ansiedade que estou acostumado a viver.

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Como as democracias morrem, de Steven Levitsky & Daniel Ziblatt – Nota 8/10 – Não é tão comum, mas às vezes gosto de escolher um livro que está sendo muito comentado, até para conferir se concordo com toda a atenção que o mercado editorial está dando para aquela obra. E como já tinha lido opiniões positivas sobre esse livro, resolvi tentar… Pela sinopse, Levitsky e Ziblatt prometem trazer uma “análise crua e perturbadora do fim das democracias em todo o mundo”. Por meio de uma análise histórica de governos autoritários, os dois professores de Ciência Política de Harvard constroem um cenário com as principais ameaças a um governo democrático, demonstrando como esses riscos estão sofrendo mudanças ao longos dos anos. Muito embora os autores se concentrem bastante na situação política dos Estados Unidos, a leitura é, na minha opinião, muito relevante para o atual momento vivenciado pelo Brasil – e isso, importante registrar, independentemente da posição política do leitor. Tanto isso é verdade que os autores utilizam como exemplos de governos antidemocráticos tanto regimes liderados por partidos de esquerda, quanto de direita. Ou seja, o objetivo da obra é analisar a democracia como uma garantia ao cidadão e que está acima da identificação política de cada um. No entanto, apesar de relatarem os acontecimentos históricos de modo “imparcial”, os autores deixam clara a sua oposição a governos atuais que seriam antidemocráticos, em especial, o governo de Donald Trump. A pergunta que eles tentam responder é a seguinte: como foi possível a chegada de um “outsider” como Trump ao poder? Além disso, a partir de uma linguagem acessível e objetiva, os autores indicam os sinais que devem ser combatidos para evitar a ascensão de um regime antidemocrático. Também é muito interessante como o livro traz novos pontos de vista sobre os alicerces da democracia, revelando a importância das regras não escritas do jogo político. Por fim, achei que a leitura ficou um pouco arrastada mais para a parte final da obra, quando o enfoque passou para a polarização da política norte-americana – o que inclusive contraria a premissa sobre a qual a obra é vendida aqui no Brasil. #bookster

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O advogado de 26 anos aponta os efeitos do ímpeto de consumir na busca por títulos que deem, necessariamente, uma resposta. Algo em troca pelo tempo supostamente perdido. 

“As novas gerações são consumidas por uma quantidade infinita de informações, que são compartilhadas instantaneamente. Por isso, o sentimento que fica é: não há tempo para perder. Qualquer minuto que sobra deve ser otimizado. É a geração da otimização! E é justamente nesse cenário que surge uma demanda cada vez maior por livros de desenvolvimento pessoal (“auto ajuda”) e livros de gestão financeira”

O fenômeno se dá, segundo o advogado, porque o “leitor acha que se vai gastar um tempo lendo um livro, então é importante que a obra escolhida ao menos passa ensinar algo útil, como por exemplo, a ser uma pessoa ou um profissional ‘melhor’”. 

Falando sobre a já citada empatia o responsável pelo ‘Bookster’ valoriza o descompromisso. Ou, parafraseando o escritor italiano Domenico De Masi, o ócio criativo. 

“O que as pessoas esquecem é que separar tempo para uma leitura descompromissada pode ser muito importante para a nossa saúde mental. Quando nos permitimos curtir um livro, sem competir com ninguém, baixamos nossos níveis de ansiedade e deslocamos o foco do nosso pensamento… Passamos o dia preocupados com a nossa vida, com os nosso problemas. E por meio da literatura passamos a nos colocar no lugar do outro. Deixamos aquela visão egocêntrica de lado e somos lembrado de que o outro também tem conflitos internos. A literatura é uma ferramenta para uma sociedade mais empática”, encerra. 

Pacote de dados 

Ansiedade, esta palavrinha nunca fez tanto sentido quanto nos dias de hoje. Aquela resposta que nunca chega (faz cinco minutos que você enviou a mensagem), a quantidade de likes que demora para atingir o objetivo ou vídeo que não carrega. 

Que tal praticar o ócio criativo?

– Com alegria e sem caretice, Amanda Ramalho desmistifica saúde mental no Esquizofrenoias

Junte e em seguida misture todos estes elementos na cabeça de um jovem morador de uma cidade como São Paulo: a saúde mental corre riscos. Os números apenas comprovam a constatação. 

Um estudo feito pela Royal Society for Public Health do Reino Unido mostra que 90% das pessoas entre 14 e 24 anos usam redes sociais. A onipresença dessa faixa etária ainda em processo de amadurecimento é refletido nas altas taxas de ansiedade e depressão, que aumentaram 70% em 25 anos. 

A leitura também desempenha um papel importante porque ajuda o leitor a desligar um pouco dos pensamentos. Quem está vivendo um momento de muita angústia ou ansiedade, tem dificuldade para conseguir se distrair dos pensamentos negativos que tanto consomem. Então, quando um livro – ainda que por alguns minutos – faz com que essa pessoa possa ter um momento de descanso interior, a leitura se transforma em um ótimo aliado da recuperação. Mas é sempre importante enfatizar que qualquer problema psicológico precisa de um acompanhamento profissional adequado. A literatura nunca vai substituir isso, mas pode te ajudar a passar por uma situação difícil.

A pressão exercida pela busca utópica de uma vida perfeita pode ser amenizada com os livros. Como bem disse Pedro, um profissional é fundamental no trajeto. Mas, qual o problema em deixar a estrada mais doce com a companhia de um livro? 

“A leitura pode não só ajudar alguém a enfrentar uma depressão, mas também a evitar que você passe a ser mais uma vítima de doenças psicológicas. Assim como outras atividades que contribuem para regular nosso estresse e ansiedade, a leitura também tem esse papel, principalmente quando você se dá alguns minutos do seu dia para um livro que você queira ler, sem qualquer compromisso”, pontua. 

Redes 

Você deve estar se perguntando: se as redes sociais fazem mal à saúde, por que o Hypeness está ouvindo um rapaz que ganhou notoriedade pelo Instagram? 

Simples, não se trata de uma visão binária, mas um convite para a construção de novas formas de se relacionar. As redes sociais, evidentemente, são elos fundamentais para a mudança de paradigmas. A própria discussão sobre saúde mental ganhou roupa nova com as redes. 

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“A metamorfose”, de Franz KafKa, é inegavelmente um clássico: trata de sentimentos humanos atemporais. É a angústia e o desprezo sentidos por Gregor Samsa, um jovem caixeiro viajante que, de um dia para o outro, se vê transformado em um asqueroso inseto. São sensações de um personagem que vão muito além das páginas, atingindo o leitor e deixando uma marca que poucos livros conseguem deixar. E pensar que, há três anos, até descobrir e ser influenciado por perfis literários nas redes sociais, eu era um leitor cheio de preconceitos literários. Um deles era justamente contra os clássicos. Tinha aquela ideia errada de que seriam livros antigos, difíceis de ler e meio enfadonhos (uma herança das leituras para o vestibular). Mas foi com a ajuda desses perfis literários – que muito inspiraram o @book.ster – que eu decidi sair da minha "zona de conforto” e criar coragem para conhecer um pouco das obras tão comentadas… E a certeza que eu tenho a cada dia mais é a seguinte: como eu estava perdendo tempo ao não ler os clássicos! Eles chegaram a essa categoria por um grande motivo: conseguem dialogar com o leitor, independentemente do momento em que foram escritos. São sempre atuais e nos revelam muito sobre o ser humano. E com essa minha paixão cada vez maior pelos clássicos, não há como não ficar animado com uma nova editora como a @antofagica no mercado! Criada para reeditar os clássicos de uma forma mais ousada e atraente para o público jovem, a @antofagica escolheu “A metamorfose" para ser a primeira obra de seu catálogo. A edição está incrível: capa dura; ilustrações incríveis e fiéis às sensações causadas por Kafka; vários textos de apoio… E se as próximas edições continuarem nesse padrão, vou ter que abrir um grande espaço aqui na minha estante só para a @antofagica ! Tem link nos stories para a compra do livro. Garanta já o seu! P.S.: A editora também produz um conteúdo muito interessante e bem feito sobre o universo da literatura no canal do YouTube… Corre lá para conferir! @antofagica centralizada, @taviao, @pedroinoue e @mutarellilourenco #publi #literatura #metamorfose #franzkafka #classicos #ler #lido #books #antofagica #leitura #bookstagram #bookster

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O próprio Pedro, ao utilizar o alance adquirido no Instagram, muda a vida de muitas pessoas que convivem com o desafio de manter  a sanidade mental. 

“Diariamente recebo mensagens de pessoas me contando com a leitura as está ajudando a passar por uma fase mais difícil ou até mesmo de pessoas que me relatam como a literatura fez elas entenderem o que alguém de sua família ou algum amigo está passando. São muitos relatos emocionantes e que revelam o sofrimento que muitas pessoas vivenciam. Mas é sempre importante lembrar que a literatura não pode passar de uma aliada a um objeto de fuga para os problemas. Os livros podem sim nos trazer um alívio em momentos difíceis. Por outro lado, não podem se tornar um refúgio da difícil tarefa de buscar ajuda. Por isso que eu repito: o acompanhamento profissional é essencial para alguém que sofre de alguma doença psicológica”, destaca. 

Pedro indica

Nós, que não somos bobos nem nada, aproveitamos a disposição de Pedro Pacífico (não vamos fazer trocadilhos, certo?) para pedir algumas dicas de livros com efeito positivo na saúde mental. 

Antes, ele destaca que saúde mental e literatura estão cada vez mais próximas. Pedro encara com seriedade a responsabilidade de se tornar referência, ao passo que se mantém atento os próprios níveis de estresse. 

“É lógico que gosto muito de falar sobre livros, mas com a dimensão cada vez maior que vem ganhando @book.ster, eu também passei a sentir uma responsabilidade maior por produzir conteúdo com frequência e qualidade. Além disso, a minha rotina é muito corrida e estressante (como a de boa parte das pessoas que vivem em grandes centros urbanos). Por isso, também tenho que guardar um tempo para conseguir praticar atividades que possam regular os meus níveis de estresse e de ansiedade. A leitura é uma delas e, talvez, a mais importante”

Aos livros: 

A lista de Pedro Pacífico reúne publicações que, de acordo com ele, “nos permite compreender melhor o que uma pessoa com doenças psicológicas vivência. Selecionei alguns livros que abordam a temática, seja de forma técnica ou ficcional”. 

Ele faz um alerta importante sobre os títulos. “As indicações, portanto, podem conter gatilhos sobre depressão, ansiedade e suicídio”. 

1- ‘O Demônio do Meio-dia’, de Andrew Soloman;

2- ‘Os Sofrimentos do Jovem Werther’, de J. W. Goethe;

3- ‘A Redoma de Vidro’, de Sylvia Plath;

4- ‘Meu Ano de Descanso e Relaxamento’, de Ottessa Moshfegh;

5 – ‘Norwegian Wood’, de Haruki Murakami;

6- ‘O Sofrimento é Opcional’, de Monja Cohen;

7- ‘Serotonina’, de Michel Houellebecq; 

8- ‘As Horas’, de Michael Cunningham⠀⠀⠀

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Fotos: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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