Ciência

Pesquisa mostra quando crianças param de acreditar em Papai Noel

por: Vitor Paiva

Para alguns é uma fantasia pedagógica e estimulante, para outros uma mentira que estimula o consumo e o pior moralismo, mas seja qual for sua posição, o fato é que todos nós em algum momento tivemos de enfrentar a dura realidade de que o Papai Noel não existe. Qual a idade média em que essa revelação se sucede? Qual o impacto de tal descoberta? Essas foram as bases do estudo levantado pelo pesquisador Christopher Boyle, que segue em realização mas que teve alguns dados preliminares revelados.

Professor de psicologia da Universidade de Exeter, no Reino Unido, Boyle começou tal pesquisa em 2016, depois de escrever um ensaio sobre o significado de transmitir a lenda do Papai Noel para as crianças – e, a partir das tantas mensagens que recebeu sobre o tema, iniciou o trabalho. Mais de 1200 pessoas do mundo inteiro foram entrevistadas e, de acordo com os primeiros resultados, a idade media para se descobrir a verdade (ou a mentira) sobre o Papai Noel é de 8 anos. É nessa altura da infância que as crianças começam a prestar mais atenção na conversa dos pais e na própria rotina da casa – e assim começam a desconfiar da história.

56% dos entrevistados afirmou que a descoberta em nada abalou sua confiança nos adultos – mas 33% afirmaram terem se chateado com a descoberta, 15% receberam-na como uma traição, e 10% efetivamente sentiram raiva ao descobrir que o Papai Noel não existe. Hoje, 70% dos entrevistados também incentivaram a propagação da lenda entre as crianças, e os restantes 30% não compactuaram com a história. A pesquisa sustenta que, ainda que os universos ficcionais ofereçam uma alternativa ao mundo real e o incentivo à imaginação, o motivo mais profundo por trás da manutenção da história do bom velhinho é o desejo dos pais de retornarem por alguns instantes à infância. A pesquisa ainda está sendo concluída, e deve ser publicada em breve.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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