Inovação

Professor usa slam para ensinar português em escola pública da ZL

por: Vitor Paiva

O que nasceu como uma espécie de competição de poemas para tirar o mofo e a rigidez dos recitais nos anos 1980 se transformou em método de ensino em uma escola da Zona Leste de São Paulo. Pelas mãos da professora de português Carolina Lobrigato, na EMEF Altino Arantes, o Slam, como ficou conhecido o método de se falar poemas em grupo e, na maior parte dos casos, em competição, entrou na sala de aula, como um jeito de conduzir diversos debates e principalmente oferecer voz e expressão aos alunos através da arte, da poesia e da rima, sem abrir mão do ensino propriamente, mas com a mão – e o coração – na massa.

A ideia nasceu em comunhão entre a professora e as alunas. Carolina falou sobre o Slam como um gênero de poesia, e uma aluna sugeriu que a turma fizesse algumas apresentações. Depois de diversas aulas nas quais o estilo, a história, a questão da voz, da eloquência e da expressão foram tratadas, aos poucos os alunos do oitavo ano começaram a escrever – para falar sobre o que viviam e sentiam.

A professora de português Carolina Lobrigato

Se questões contemporâneas profundas, como feminicídio, racismo, desigualdade social são tratadas nos slams, outros aspectos mais pessoais, como timidez e criatividade, também entram na roda, e sem abandonar a questão da língua e do próprio português como base para essa expressão.

Recentemente Carolina ganhou com seu projeto Slam Altino o segundo lugar no Prêmio Municipal Educação em Direitos Humanos da Cidade de São Paulo, na categoria “Professores”.

Carolina entre outras colegas

O slam nasceu em Chicago, nos EUA, na década de 1980, quando grupos de poetas decidiram por romper com a estrutura rígida e formal dos recitais – e abriram o microfone para quem quisesse falar, introduzindo o elemento da competição.

Assim como nos EUA, no EMEF Altino Arantes existem regras: cada poeta não pode passar de 3 minutos, nem usar adereços ou instrumentos. Vencer não é, porém, importante – o que importa de fato é experimentar a expressão profunda, com o mundo e o futuro diante do microfone.

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© fotos: Facebook


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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