Ciência

Sujar-se de terra é o mais moderno e eficaz antidepressivo de acordo com este estudo

por: Vitor Paiva

Com a depressão já diagnosticada como a doença do século XXI, em um mundo cada vez mais tomado por medicamentos como a agomelatina, amitriptilina, escitalopram, mirtazapina e paroxetine – entre tantos outros – , a busca por tratamentos e terapias alternativas e naturais, que não provoquem dependência nem efeitos colaterais, cresce na mesma proporção com que se fabricam mais e mais remédios para a depressão. Para além da ingestão de ingredientes naturais, certas práticas podem também ser eficazes no combate a esse mal – e uma delas é tão antiga e natural quanto nossa própria existência enquanto espécie: fazendo jus ao nome do planeta em que vivemos, sujar as mãos na terra pode ter um efeito contra a depressão mais salutar do que poderíamos imaginar.

Engana-se, porém, quem pensa que tal tratamento em potencial se restringe ao prazeroso efeito terapêutico que o ato de mexer na terra, cuidando de plantas, por exemplo, pode nos trazer. Uma pesquisa conduzida por cientistas do Departamento de Fisiologia Integrada e do Centro de Neurociência da Universidade do Colorado, e publicada na revista Neuroscience, sugere que, para além do prazer desse bom hábito de sujar as mãos, uma bactéria específica do solo pode ajudar a combater diversos processos inflamatórios – inclusive transtornos psiquiátricos e outros males psíquicos ligados, por exemplo, ao estresse.

Intitulada Mycobacterium vaccae, a bactéria estudada pode ter um papel importante na regulação de nosso comportamento emocional. “Os seres humanos co-evoluíram com estas bactérias por mais de mil anos, e elas têm demonstrado afetar o sistema imunológico de uma maneira a eliminar inflamações. Isto significa que estas bactérias podem ser úteis na prevenção ou no tratamento de doenças com processos inflamatórios”, diz Christopher Lowry, professor e um dos líderes da pesquisa. Lembrando que os ser humano é um ecossistema que precisa dos muitos microbios presentes no nosso corpo. “As pessoas geralmente assumem que os benefícios para a saúde da exposição aos espaços verdes são devidos ao exercício. Na verdade dois grandes estudos agora demonstram que, embora o exercício seja definitivamente bom para você, o contato com a biodiversidade microbiana é a explicação mais provável para o efeito do espaço verde.”, diz.

As pesquisas ainda não definem, no entanto, quanto tempo de exposição e qual a melhor maneira de vivenciar essas atividades para alcançar maiores benefícios à saúde. De todo, a exposição através não só do contato manual, mas da própria respiração a esses organismos ambientais presentes na natureza possuem a capacidade reduzir inflamações. Naturalmente que o combate à depressão deve ser feito com o devido acompanhamento médico – mas sujar as mãos na terra pode e deve ser seguido como uma recomendação científica.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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