Entrevista Hypeness

‘Vivemos em uma época em que há muita polarização’, lamenta Mick Jagger durante lançamento de filme

por: Janaina Pereira

Mick Jagger foi a grande atração do último dia da 76ª edição do Festival de Veneza. Mas, para quem pensa que o ator estava na Itália para um show, se engana: o vocalista dos Rolling Stones faz parte do elenco de The Burnt Orange Heresy, do diretor italiano Giuseppe Capotondi, filme que encerrou o evento. O músico, que não atuava desde 2008, quando participou de Efeito Dominó (The Bank Job), de Roger Donaldson, interpreta um colecionador de artes no longa estrelado por Elizabeth Debicki e Donald Sutherland.

Jagger esbanjou simpatia em suas poucas horas no festival. Ele chegou em meio a um protesto de ambientalistas contra os cruzeiros que passam por Veneza, e deu sua opinião sobre o assunto. “Estou feliz que os jovens protestem, eles são os que herdarão o planeta. Estamos em uma situação muito difícil, nos Estados Unidos os controles ambientais que talvez melhorassem a situação nos próximos dez anos foram retirados ou cancelados pelo atual governo”, comenta. O cantor não se esquivou de falar sobre a política mundial, que já havia sido um dos temas abordados também pelo seu contemporâneo Roger Waters, outra lenda do rock que passou por Veneza. “Acho bom que as pessoas protestem no tapete vermelho e em outros lugares Vivemos em uma época em que há muita polarização e menos civilização na vida política em muitos países. E isso não é bom. Agora todos perguntamos: onde essa brutalidade e essas mentiras vão nos levar? “.

Aos 76 anos, Mick Jagger passou por uma cirurgia no coração em abril deste ano, depois que já tinha filmado The Burnt Orange Heresy. O cantor já voltou aos palcos e mostra plena forma. Ele falou com entusiasmo sobre seu retorno ao cinema. “O papel é menor, mas importante para a história. Eu me diverti muito incorporando um colecionador, que também é negociante de arte. O mundo da arte não é apenas feito de artistas, mas também de outras figuras que tornam a arte mais preciosa”.

O filme é baseado no livro de Charles Willeford, de 1971, e conta a história de um crítico de arte ganancioso que busca desesperadamente por reconhecimento. Mick Jagger interpreta Joseph Cassidy, o colecionador que pode mudar essa história. “Gostei muito do roteiro, achei interessante porque ele se desenvolve de um jeito em que você nunca sabe se as pessoas estão falando a verdade”.

Jagger, que trabalhou em filmes de sucesso como Freejack (1992), garante que atuar não é complicado. “O cinema e o palco são coisas diferentes, mas com pontos em comum. É claro que, no cinema, se você cometer um erro, poderá corrigi-lo, e no palco não tem isso.  Há uma sensibilidade diferente para fazer um filme, e eu preciso agir com uma parte do cérebro e do corpo que não é o que costumo usar nos meus shows. Mas o artista continua sendo alguém que precisa usar uma máscara, às vezes mais de uma. No final, o objetivo não é revelar uma parte de você, como acontece com os escritores, é sobre criar ilusões “, conclui.

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Fotos: La Biennale di Venezia


Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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