Ciência

Coalas estão funcionalmente extintos devido a incêndios na Austrália, dizem pesquisadores

por: Vitor Paiva

A ameaça de extinção a uma espécie não se dá somente através do ataque direto aos próprios animais, mas também pela destruição de seu habitat natural – e é esse o triste cenário atual que levou os coalas a serem declarados “funcionalmente extintos” na Austrália. Se o impacto das imensas queimadas que se alastram nesse momento pelo país sobre os seres humanos já é trágico – com mais de 10 milhões de hectares de terra incendiados e com populações tendo de deixar suas casas -, sobre esses animais a tragédia pode ter dimensões apocalípticas.

Estima-se que mais de 1000 coalas já tenham morrido nos incêndios, o que, diante dos pouco mais de 80 mil animais que ainda existem na natureza, já torna o caso tão alarmante quanto possível. A destruição, porém, das árvores de eucalipto – principal fonte alimentar dos coalas – coloca a espécie na condição apontada como de extinção funcional.

Um dos mais de 120 focos de incêndio no sul do país

O significado de tal termo indica os números da espécie se tornarão tão baixos que o animal não mais conseguirá contribuir com seu ecossistema e, ainda que as reproduções sigam acontecendo, não haveria mais possibilidade da espécie contornar o quadro.

Alguns cientistas questionam o diagnóstico fatal, mas todos concordam que a situação é de máximo alarme – ainda que os incêndios sejam controlados em breve, os eucaliptos demoram meses para crescerem novamente, o que indica que os dados sobre os coalas só tendem a piorar. Não é por acaso que um vídeo recente de uma mulher salvando um coala gravemente ferido do meio da mata em chamas viralizou – o animal símbolo da Austrália pode estar com os dias contados.

Infelizmente o animal resgatado não sobreviveu, e mais de 120 focos de incêndio seguem ardendo desde setembro espalhados por quatro estados no sul do país, em um cenário ainda incontrolável.

Um coala sendo atendido em um hospital veterinário

É difícil precisar a causa dos incêndios que já mataram seis pessoas morreram e destruíram cerca de 650 casas, mas especialistas afirmam se tratar tanto de ação humana quanto do efeito de raios na região.

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© fotos: divulgação/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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