Ciência

Como ela salvou a vida do marido infectado pela ‘pior bactéria do mundo’

por: Gabriela Glette

Os norte americanos Tom Patterson e Steffanie Strathdee são cientistas da Universidade da Califórnia – San Diego e, entre conferências acadêmicas e viagens a passeio, já conheceram mais de 50 países juntos. No entanto, foi na última viagem – ao Egito, que o casal conheceu o verdadeiro valor da parceria que existe entre eles. Quando Tom começou a vomitar, ambos acharam que era uma intoxicação alimentar, quando na verdade ele havia contraído uma superbactéria resistente a antibióticos.

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Determinada a salvar a vida do marido – que precisou entrar em coma induzido, a convicção da epidemiologista especializada em doenças infecciosas foi a chave para salvar este homem, já que os médicos estavam ficando sem alternativas para tirar a superbactéria de sua corrente sanguínea. Tudo começou quando o casal estava fazendo um passeio de barco noturno pelo rio Nilo e Tom começou a vomitar. Pouco tempo depois ele passou a sentir dores fortíssimas nas costas, e foi nesta hora que decidiram ir para o hospital.

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Depois de uma tomografia, os médicos descobriram que ele tinha um abcesso do tamanho de uma bola de futebol no estômago. No dia seguinte, Patterson foi levado a Frankfurt – na Alemanha, onde uma série de outros exames confirmaram a superbactéria. Neste momento ele já havia começado a entrar em coma. Os médicos disseram: “Esta é a pior infecção do planeta. É uma infecção que fechou hospitais na Alemanha. Chama-se Acinetobacter Baumanni”.

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Os médicos precisavam utilizar roupas especiais e o paciente foi colocado em isolamento total. Em 2017, a bactéria foi listada pela OMS – Organização Mundial da Saúde, como uma das 3 superbactérias mais perigosas do mundo. Depois de estabilizar a saúde de Petterson, ele finalmente foi transferido para San Diego, onde os médicos possuem experiência em superbactérias, por ser uma área com muitos militares que viajam ao Oriente Médio.

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Foi depois de um acidente com um dos drenos que tirava o líquido de seu abdômem, que a bactéria espalhou-se rapidamente pelo seu corpo, aumentando ainda mais o risco de morte. Steffanie então, decidiu pesquisar tratamentos alternativos na Biblioteca Nacional de Medicina. A resposta estava nos fagos – vírus que evoluíram naturalmente para atacar bactérias. Mas, para fazer um tratamento com eles, ela precisava da autorização da FDA – Federal Drug Administration, a agência norte americana que regula produtos alimentícios e farmacêuticos.

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A cura

Felizmente, a agência aprovou e a cientista começou a pedir para especialistas do mundo inteiro que enviassem amostras de fagos. O mundo inteiro ofereceu ajuda, e dentro de 3 semanas, Steffanie com a ajuda de uma estudante de doutorado finalmente conseguiram desenvolver um coquetel de fagos. O primeiro coquetel foi injetado no abdômen de Patterson, e um segundo, ainda mais potente, diretamente em sua corrente sanguínea.

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Três dias depois, Tom acordou do coma e hoje ele está totalmente curado. Depois de meses no hospital, ele precisou reaprender a engolir, a andar e a conversar. Ele foi a primeira pessoa na América do Norte a receber terapia fágica intravenosa para tratar uma infecção sistemática por superbactérias. Seu caso virou tese científica e foi apresentado no Instituto Pasteur – na França, em uma conferência que marcou o centésimo aniversário da descoberta dos bacteriófagos, em 1917.

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Patterson e Steffanie se tornaram grandes entusiastas do tratamento e contaram a história no livro ‘The Perfect Predator’, que agora está sendo adaptado para o cinema. Desta história ficam algumas lições. Entre eles, a urgência para encontrar uma solução para a resistência aos antibióticos, um dos maiores desafios da medicina para este século, assim como a necessidade de discutir a terapia fágica na medicina convencional. No entanto, mais do que tudo, esta história nos mostra o poder da resiliência e de jamais entregar-se, mesmo quando tudo parece perdido.

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Fotos: divulgação


Gabriela Glette
Uma jornalista que ama poesia e mora na França, onde faz mestrado em comunicação. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias.

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