Diversidade

Ela pintou suas sapatilhas por 11 anos e agora ganhou uma com a cor de sua pele

por: Yuri Ferreira

Ela nasceu na Zona Norte do Rio de Janeiro, no bairro de Benfica. Começou a dançar nos teatros do Rio e foi parar em Nova York. Ingrid Silva foi a primeira brasileira a fazer parte do Dance Theatre of Harlem, uma das principais companhias de dança do mundo.

E mesmo depois de uma trajetória tão forte e de uma batalha tão intensa – e um sucesso  de igual tamanho -, Ingrid nunca teve uma sapatilha no tom de sua cor de pele. Sim, o “nude” das sapatilhas e collants que as profissionais de dançam usam nunca tiveram um tom para pessoas negras. Ingrid era obrigada a pintar as suas roupas.

As novas sapatilhas no tom de pele de Ingrid Silva

“ELAS CHEGARAM!!! Pelos últimos 11 anos, eu sempre pintei a minha sapatilha. E finalmente não vou ter mais que fazer isso! FINALMENTE! E uma sensação de dever cumprido, de revolução feita, viva a diversidade no mundo da dança. E que avanço viu demoro mas chego!”, afirmou a bailarina em seu perfil no Twitter.

“A vitória não é somente minha e sim de muitas futuras bailarinas negras que virão por aí”

Ingrid é uma forte ativista quanto à questão racial e é claro que o reconhecimento da indústria de que existem mulheres negras no mundo da dança é um grande símbolo em sua luta por igualdade e representatividade dentro da arte.

– Finalmente alguém sacou que para ser ‘nude’ um sapato deve variar de acordo com o tom de pele

“Quando tinha 12 anos e morava no Brasil, eu era a única afro-brasileira nas escolas de dança. A inclusão é algo pelo qual todos temos que trabalhar. As pessoas precisam saber que pertencem a algo, para não se sentirem afastadas nem desistirem só porque são vistas como diferentes”, declarou em uma convenção da ONU em 2012.

A mudança que Ingrid causou no balé é mais uma nesse sentido. Diversas marcas – band-aids, giz de cera, lápis de cor e empresas de roupa – tem trabalhado para mudar a ideia do que é “cor de pele” agregando mais tons e incluindo minorias. A ideia é que existem várias cores de pele e não aquela que por muito nos foi ensinada como a “certa”: a branca.

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A luta contra o racismo tem se dado de várias maneiras e sem dúvida Ingrid é uma face dessa luta. A gente já contou a história dela aqui no Hypeness, quando falamos sobre o maravilhoso documentário curta que narra a trajetória da bailarina do Benfica até o Harlem. Dá uma olhada no documentário:

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Fotos: Reprodução/Twitter


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @yurifen.

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