Sustentabilidade

Estas estudantes criaram um papel reciclável que vira planta depois de molhado

por: Vitor Paiva

A reciclagem de papel cria um ciclo virtuoso para a produção e o desperdício desse produto tão importante – mas uma ideia criada e desenvolvida por duas estudantes de Caruaru, no estado do Pernambuco, realmente ofereceu ao papel um ciclo completo: se das árvores eles vieram, árvores os papéis voltarão a ser. Para tal, Raysa Liandra e Lília Tenório criaram um papel reciclado produzido com sementes, que, uma vez molhado depois de ser utilizado, pode ser plantado e se tornar flores, hortaliças e até mesmo uma árvore de fato.

Raysa e Lília, criadoras da Paper Plant

A ideia, desenvolvida em 2017 para o curso profissionalizante de assistente administrativo no Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac) se tornou hoje a empresa Paper Plant, que produz tais papéis reciclados para a feitura de cartões, caixas, folders, convites, etiquetas, envelopes e mais. Uma vez pronto, o papel tem durabilidade de seis meses a um ano, dependendo da semente utilizada em sua preparação – e para planta-lo, depois de usado, basta colocar o papel sobre a terra e molha-lo, ou pica-lo em pedaços menores e enterra-lo antes de molha-lo, com uma camada de terra superficial sobre ele. É importante, porém, somente utilizar tinta à base de água para imprimir algo sobre o papel.

Exemplos do uso do papel desenvolvido pela Paper Plant

Para criar o produto da Paper Plant, Raysa e Lília batem restos de papéis que recolhem através de parcerias com escolas e escritórios da região, e transformam esses papeis em uma espécie de polpa ou massa de celulose. Essa massa é moldada em folhas de papel, quando as pequenas sementes são acrescentadas. O material então é prensado, deixado para secar, e finalmente estará pronto. A empresa ainda está em seus primeiros passos, mas já foi selecionada para prêmios e editais – e serve como um perfeito exemplo do uso de criatividade e engenhosidade para combater o desperdício e oferecer um sentido imediato – e verde – para a reciclagem que nós mesmos podemos fazer.

 

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© fotos: divulgação/Instagram


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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