Ciência

Lar ancestral de todos os seres humanos é finalmente descoberto por cientistas

por: Jonas Carvalho

Cientistas dizem ter descoberto, com bastante precisão, qual foi o berço da humanidade que foi o lar ancestral de todos os seres humanos, há aproximadamente mais de 200 mil anos. Já se sabia que era na África, mas ainda não existia certeza sobre em qual região do vasto continente o ser humano moderno surgiu — até agora.

O trabalho foi publicado na revista Nature e dá conta de que nossos ancestrais, já como espécie Homo sapiens sapiens, permaneceram em torno de 70 mil anos na mesma localidade antes de se espalhar pelo mundo.

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Arredores do antigo lago de Makgadikgadi, em Botsuana

O local está em Botsuana e fica ao sul do Rio Zambeze, nos arredores do antigo lago de Makgadikgadi. Hoje a região abriga o deserto de Kalahari, mas quando o ser humano como conhecemos surgiu, toda a área era fértil e tinha uma savana exuberante.

A descoberta aconteceu após os cientistas realizarem um estudo com DNA mitocondrial, transmitido de mãe para filho ininterruptamente, em grupos que fazem parte da linhagem L0. É o grupo de DNA mais antigo entre os humanos e está presente em habitantes da Namíbia e África do Sul. Na sequência, os pesquisadores simularam as condições climáticas e geográficas da África há 200 mil anos.

“Olhando para essa linhagem, nos perguntamos de onde essas pessoas vieram, onde elas moravam? Depois estudamos a dispersão geográfica dessa linhagem. Fizemos análises espaciais para voltar no tempo, porque toda vez que ocorre uma migração, ela é registrada em nosso DNA, é como um relógio da nossa história”, explicou Vanessa Hayes, principal autora do estudo, para a AFP.

Os pesquisadores conseguiram isolar um ancestral comum dos cerca de 200 genomas analisados, que por sua vez era um khoisan, povo caçador-coletor que existe até hoje. De acordo com as análises, todos os homens que vivem atualmente na África e fora do continente compartilham o mesmo ancestral.

Mudanças de clima e região

Os khoisan ficaram em torno de 70 mil anos na região, porém mudanças climáticas no entorno do lago permitiram o começo da grande migração da espécie humana. As alterações de clima criaram “corredores verdes” que permitiram o deslocamento para outros locais inexplorados que aconteceu em diferentes etapas, mostra a pesquisa.

“Os primeiros migrantes foram para o nordeste, seguidos por uma segunda onda que foi para sudeste. Uma terceira população continuou no local até hoje. Os khoisan que vivem aqui nunca deixaram a pátria ancestral. Eles sabem que sempre estiveram aqui, contam isso de geração em geração. Eu tinha que provar isso cientificamente para o resto do mundo. É como olhar para uma grande árvore, na qual europeus e asiáticos seriam pequenos galhos no topo”, concluiu Vanessa Hayes.

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Fotos: Getty Images


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