Entrevista Hypeness

Leitora do Hypeness é selecionada entre 19 mil pessoas para viagem grátis sem celular

por: Brunella Nunes

Você trocaria suas horas dentro do frenético mundo virtual por uma viagem offline nas montanhas da Itália? Sentindo a necessidade de umas férias longe de tudo e todos, a brasileira Ana Carolina Barros encontrou no Hypeness um concurso promovido pelo país europeu e ganhou! Com a proposta de “recarregar as energias na natureza“, ela ficou longe da internet por cinco dias e contou pra gente como foi a experiência.

O concurso foi uma iniciativa de sete vilarejos da região de Veneto, lançado em meados de setembro para promover o turismo e melhorias locais, visto que fortes temporais destruíram parte dos arredores. Os vencedores poderiam então desfrutar dos Alpes Italianos por 5 dias, sob a condição de não levarem celular e computador para a viagem, conectando-se realmente apenas com a natureza.

Dos 19 mil participantes, foram selecionadas 10 pessoas. Entre elas estava Ana Carolina Barros, de 28 anos, recifense que mora atualmente no Rio de Janeiro. Apaixonada pela cultura italiana, estudou o idioma e chegou a visitar algumas cidades do país. As Dolomitas, porém, estavam apenas na sua lista de desejos. Até então. “Eu seguia vários perfis da região no Instagram, salvava fotos, e não imaginava que visitaria assim tão cedo, até porque eu nunca fui aquela pessoa sortuda. Nem bingo no feijão eu ganhava! Mas dessa vez parece que o jogo virou, e que sorte!“, contou ao Hypeness.

Conversamos com a Carol para saber como o sonho se tornou realidade, quais foram os desafios e qual é a fórmula mágica para, quem sabe, ganhar um concurso desses. A primeira dica já posso até revelar: acompanhar o Hypeness, afinal, foi aqui que ela ficou sabendo do concurso! Pena que não coubemos na mala.

A brasileira, no meio, com duas amigas que fez durante a viagem

Hypeness: O que te motivou a se inscrever num concurso tão concorrido desses?

Ana Carolina: Trabalho numa startup com inteligência de mercado, o que é muito legal e desafiador, mas também bastante frenético. Com essa rotina de trabalho intensa, eu já estava sentindo a necessidade de desconectar um pouco, respirar ar fresco e buscar algum equilíbrio. Tanto que brincava com meu chefe que tiraria férias pra um lugar onde o celular não funcionasse e ninguém pudesse me encontrar.

No momento em que vi a oportunidade de viagem para as Dolomitas no Hypeness, pareceu que tudo se encaixou: uma viagem de graça para se desconectar num lugar que eu tinha muita vontade de conhecer.

– O que você sentiu quando soube que ganhou a viagem? 

Uma semana depois de responder algumas perguntas e mandar um vídeo para a minha inscrição, eu estava no ônibus a caminho do trabalho e resolvi checar meu e-mail pessoal. Por algum motivo entrei na aba de promoções, que eu normalmente ignoro, e encontrei a resposta: você foi selecionada!

Mal acreditei, precisei ler algumas vezes pra ter certeza. Foi um misto de muita empolgação com uma certa incredulidade. Mas uma coisa é certa, eu fiquei muuito feliz.

– Já tinha viajado sozinha antes? Considera fundamental que as mulheres vivam essa experiência?

Eu só tinha viajado sozinha à trabalho, mas essa foi a primeira vez que viajei sozinha à passeio e por muitos dias. Acho que quando você está sozinha fica mais aberta a escutar e conhecer outras pessoas, isso com certeza é muito rico.

É claro que existe um receio, sobretudo para nós mulheres, de viajar sozinha, a gente sabe que existe uma insegurança corroborada por muitos relatos e números. Mas não acho que isso deve ser um impeditivo para viajar sozinha. Inclusive existem redes na internet de mulheres que se unem para dar apoio umas às outras justamente neste tipo de viagem.

Carol, à esquerda, checando o celular antes de ser recolhido pela equipe da viagem.

– Você é super conectada no celular ou mais desencanada? Como foi a experiência de ficar offline por 5 dias? 

Eu sou bem conectada e sentia falta de conseguir me desligar um pouco do celular e também de ficar de certa forma “difícil de ser encontrada”. Então eu estava muito disposta a passar alguns dias offline e não ter a “obrigação” de gerar conteúdo ou a expectativa de dar respostas rápidas às pessoas.

A princípio pensar em ficar sem celular gera um certo desconforto. Eu pensava que a viagem poderia estar chata e eu não teria meu celular pra ser um entretenimento alternativo, mas a experiência foi incrível! Na verdade, no segundo dia eu e a maioria das pessoas nem queríamos mais saber dos nossos telefones… Era uma sensação de liberdade.

– A viagem mudou sua relação com a tecnologia? O que mudou em você depois das Dolomitas?

Acho que a maior mensagem não é somente com relação à tecnologia, a mensagem principal tem a ver com natureza. Aprendi nesta viagem que o ser humano, por ser um animal, precisa da natureza pra se desenvolver. As árvores, por exemplo, liberam toxinas que são extremamente benéficas para o corpo. Então viver a natureza, respirar ar puro, sentir a terra e a grama nos pés é algo realmente terapêutico.

Acontece que hoje estes momentos na natureza, além de raros, são divididos com checagens do que está ocorrendo online e posts nas redes sociais. Isso faz com que a gente viva um pouco no automático sem ter realmente consciência do que está acontecendo no agora.

Então a maior mudança com relação à tecnologia foi essa: ter consciência de que em alguns momentos é preciso desconectar um pouco para conseguir viver plenamente momentos muito importantes e que são benéficos pro nosso corpo. Sem sombra de dúvida estar na natureza é um desses momentos.

Pôr do sol nos Alpes italianos. Chato, né?

– Hoje em dia estamos sempre gerando conteúdo, sempre na ‘obrigação’ de documentar as coisas para postar. Essa ansiedade passou ao longo dos dias?

Sem o celular eu foquei muito mais em viver o agora, em fazer amigos, sentir melhor as sensações, curtir aquela experiência incrível na natureza e buscar uma interpretação das minhas emoções e sentimentos enquanto vivia tudo aquilo.

As experiências que vivi lá ajudaram muito nesse momento offline: fizemos meditação, ioga, sound bathing com bowls tibetanos, banho de floresta, trilhas, stone balancing. Tudo isso com a paisagem incrível e intocada das Dolomitas!

– Houve momentos que você gostaria muito de ter registrado?

Nós podíamos usar nossas câmeras fotográficas pra fazer registros. A diferença é que não tínhamos o acompanhamento quase ao vivo que fazemos nas redes sociais quando temos celular. Isso nos dava muito mais tempo pra conhecer os outros e aproveitar mais a experiência. Como a iniciativa também levou uma dupla de cinegrafistas, eles fizeram alguns registros incríveis que resumem como foram estes dias nas Dolomitas. Mas a melhor parte com certeza foi a experiência, e essa só registramos na nossa memória.

– Deu pra fazer amizade com os/as outro (as) ganhadores (as)? Teve algum momento engraçado?

Sim, ficamos muito amigos! A maior parte das pessoas mora na Europa, então eles já fizeram alguns encontros por lá depois da nossa viagem, e em fevereiro do próximo ano vamos nos encontrar aqui no Brasil!

Tiveram vários momentos engraçados. Sem celular parecíamos adolescentes - já que nessa época da nossa geração vivíamos offline. Então passamos várias noites conversando, cantando músicas, fazendo jogos… Foi muito divertido.

– Rolou trabalho voluntário nessa viagem também, né? Como foi?

Sim! Nós ajudamos a nivelar as trilhas próximas ao refúgio que ficamos hospedados porque tinha chovido muito nos dias anteriores e também a estocar a lenha que eles vão usar agora no inverno. Foi um trabalho de poucas horas, mas foi legal poder dar algo em troca para a região.

– O que é melhor: viver de boa sem celular nas exuberantes Dolomitas ou ficar no Rio de Janeiro, mas com 4G?

Acho que é tudo uma questão de equilíbrio. A gente precisa da internet, ela é importante e também nos aproxima de várias coisas. Mas precisamos de momentos de conexão exclusiva com o que existe apenas offline, como pessoas e natureza.

E não precisa passar 5 dias offline na Itália pra colocar isso em prática. Você pode ir pra um parque perto de casa, desligar seu celular, fazer uma caminhada descalço, focar nos sons quem tem ao seu redor, contemplar a paisagem, as pessoas…

A experiência de desconectar é possível para qualquer um de nós. Basta estar disposto a isso.

Pra deixar mais fácil a tarefa de conseguir ficar offline eu sugiro que você avise às pessoas que mantêm um contato mais constante que vai ficar off, assim ninguém vai ficar ansioso pra te encontrar e você também se livra um pouco dessa expectativa.

– Alguma dica pra quem quer ganhar um concurso assim? Você planejou bem a sua resposta ou foi mais coração e menos razão?

Minha resposta foi baseada no coração porque eu sentia muito que eu merecia viver aquilo. Na hora que vi a oportunidade mandei uma mensagem pra minha melhor amiga dizendo que eu ia viajar pra Itália. Super otimista, hein?! (risos).

Mas tenho sim algumas dicas. Acho que é importante ter um discurso coerente, sempre pontuar o que motiva você - e isso tem que vir do coração -, não fazer textos muito longos, se possível contar uma história engraçada e quando tiver opção de enviar vídeo, envie!

Neste caso o vídeo era opcional, mas 9 dos 10 escolhidos tinham enviado. O vídeo ajuda a aumentar a empatia e sentir sua atitude, então considero muito importante.

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Fotos: acervo pessoal e Heart of the Dolomites


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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