Debate

Luisa Mell diz que não haveria fome no mundo se as pessoas fossem veganas

por: Yuri Ferreira

A ativista pelos direitos animais, Luisa Mell, falou que não haveria fome no mundo se as pessoas fossem veganas. A declaração veio durante episódio da séri ‘Livre Acesso’, produção do UOL em parceria com o Facebook Watch. Mas será que essa afirmação é verdadeira?

Sabemos que o constante desmatamento realizado na Amazônia tem como fim a criação de gado e plantações de soja, que tem como principal futuro de sua produção a alimentação de animais. Um estudo publicado na  Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que na área em que se produz 4g de carne bovina e 100 gramas de proteínas vegetais.

– Cada vegetariano pode evitar a morte de 582 de animais em um ano, aponta estudo

A ativista Luisa Mell

É inegável que o consumo de carne traz muitos malefícios para a terra, além do crescente desmatamento, a emissão de gases estufa e os danos à saúde que uma alimentação com excesso de carne podem causar são custos a mais para sistemas públicos de saúde e podem gerar questões financeiras para os que dependem da saúde privada.

O veganismo pode acabar com a fome?

Entretanto, será que o problema da fome no mundo está relacionado com a produção de alimentos ou com a má distribuição da alimentação? Para isso, precisamos nos atentar a dados e especialistas.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, um terço dos alimentos produzidos no planeta vão para o lixo. Muitas vezes, por questões mercadológicas – como por exemplo, alimentos que não parecem tão ‘bonitos‘ e são jogados foras logo na colheita -, até por opções de consumo: famílias de classe média que compram comida em excesso e depois a desperdiçam. Boa parte da comida consumível no mundo acaba imprópria para o ser humano.

A agropecuária tem papel essencial no desmatamento de nossas florestas

Em entrevista à BBC,  Andrew Jarvis, do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), com sede na Colômbia, comentou os impactos que uma alimentação inteiramente vegetariana (nem se tratando do veganismo citado por Luísa Mell) teria na população mundial.

“Trata-se de um conto de dois mundos. Em países desenvolvidos, o vegetarianismo traria vários tipos de vantagens para a saúde pública e para o meio ambiente. Mas nas nações em desenvolvimento, poderia haver ainda mais pobreza”, afirmou.

O agronegócio tem como fim principal a produção de carne

Isso porque a cultura de diversos países e povos está diretamente relacionado com a criação de animais e com o consumo de carne. Países como a Nova Zelândia, que depende da criação de ovelhas para a produção de lã, teriam que reorganizar toda sua economia para se manter. O próprio Brasil, um dos principais exportadores de carne, teria de repensar toda a sua economia.

É inegável também que a contribuição de uma sociedade sem criação intensiva de animais poderia ser muito grande ao mundo. Presume-se que cerca de 30% da emissão de gases estufa esteja relacionada à produção de carne, e isso seria um grande passo para o desenvolvimento sustentável e para a redução dos impactos do aquecimento Global.

Além disso, a redução do consumo de carne em larga escala por parte de carnívoros já seria um grande passo. Os inegáveis benefícios para a saúde das dietas com menos carne podem ser sentidos e já foram comprovados pela ciência. Quer saber mais como pode reduzir o consumo de alimentos de origem animal, mas não querer parar de comer aquele bifinho? Conheça o flexitarianismo, que está ameaçando a indústria da carne.

Entretanto, é impossível dizer que “se todos fossem veganos, a fome já teria acabado”. O problema da fome está mais conectado com distribuição de renda (e consequentemente, de alimentação) do que com a produção de carne de fato.

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Fotos: foto 1: Reprodução/Instagram/foto2: Getty Images/foto 3: Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @yurifen.

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