Debate

‘Maria’ só queria viajar, mas ódio das redes mostra desconhecimento sobre depressão

por: Yuri Ferreira

Nenhuma vontade de sair do quarto, comer ou sair. De falar com ninguém. Se antes o prazer era viajar, fazer novos amigos, rever colegas… hoje nada mais faz sentido. Esse foi o relato de Maria*, uma jovem diagnosticada com depressão e Síndrome do Pânico.

Depois de muitos tratamentos, terapia e medicação,  Maria conseguiu se reerguer. Após meses, ela saiu pra viajar. Finalmente, pela primeira vez teve a possibilidade de sair de casa. E o que as pessoas falam? Que depressão era desculpa. Que era ‘frescura’. Que ‘depressão pra viajar você não tem, né?’. ‘Nunca vi depressivo viajar por aí’.

– 28 antes e depois do quarto de pessoas que sofrem com depressão

Thaís (esq) desabafou acerca do tratamento que se dá pra pessoas com depressão nas redes sociais

Esta história foi contada por Thais Souza, em seu Facebook. A Maria, no caso, era ela. E o desabafo dela mostra que, além de muito preconceituosos, temos uma enorme dificuldade de lidar com a depressão. Não só com a doença – vindo da parte dos pacientes -, mas também com pessoas ao nosso redor que passam pelo problema.

Cerca de 47% dos brasileiros não sabem o que é depressão. A nossa educação – e boa parte de uma ótica de cultura meritocrática – não gosta de enxergar a depressão como uma doença. Não observa o fato como ele é. Preferem dizer que é frescura, que é bobagem, que é só sair de casa, que é só olhar pro futuro. Não é assim. Não se resolve tudo com coach.

“O tratamento demora meses, a médica diz que pode demorar anos. As pessoas a sua volta lhe dizem “Você precisa superar isso!”, “você já tentou sair dessa cama?”, “Você precisa mudar o pensamento, pensar em coisa boa”, “Você precisa ser mais forte do que isso!”, “Você não tem problemas, o Fulando que tem câncer sim tem motivos para chorar”, contou Thais em seu relato no Facebook.

O número de pessoas com depressão no Brasil tem crescido nos últimos anos e hoje somos um dos países com a maior prevalência da doença no mundo. O país também é um dos mais ansiosos do planeta. A dificuldade em alcançar tratamento ou mesmo de reconhecer que a doença existe é um problema que aumenta o seu prolongamento e pode aumentar consideravelmente os riscos da patologia.

“O que eu ainda não consegui entender é se vocês queriam que eu superasse o problema, ou que eu me matasse para depois vocês ficarem postando sobre como eu fui fraca e que eu poderia ter pedido a ajuda de vocês?”, desabafou Thais.

Confira a postagem no Facebook:

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Foto: Reprodução/Facebook


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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