Debate

Mulheres negras e mais pobres se identificam mais com feminismo

por: Gabriela Glette

Apesar das inúmeras tentativas para limitar os avanços do movimento feminista, precisamos concordar que ele se consolida cada vez mais nos países ocidentais. Felizmente. No entanto, segundo estudo encabeçado pelo Google e Datafolha, o feminismo é mais importante para mulheres negras e de camadas mais pobres. Para estas mulheres, o movimento feminista só não é mais importante do que a inserção no mercado de trabalho e da luta contra o racismo.
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Ainda segundo o estudo, quanto maior a escolaridade, menor é a preocupação em se discutir o feminismo. Realizada com 1.225 pessoas negras e pardas, a pesquisa mostra que 30% dos entrevistados concordam que o feminismo é uma pauta importante, contra 29% das entrevistas feitas com quem tinha o ensino médio e 18% daqueles que são formadas no ensino superior.
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Para os pesquisadores, a explicação está na própria violência sofrida diariamente pelas mulheres negras e pobres. A violência específica de gênero, como violência obstétrica durante o parto e a desigualdade salarial até mesmo entre homens negros, é uma realidade que a mulher branca e de camadas sociais mais altas, pouco conhece. Em outubro, o Ministério do Trabalho divulgou que as mulheres negras brasileiras ganham 55% a menos do que os homens negros.
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Além disto, o estudo também mostra que a população mais pobre costuma ser mais engajada em outras pautas também. Mais de 60% das classes D e E se consideraram como ativistas do movimento negro, contra 31% das classes A e B. A pesquisa agrupou classes econômicas que tiveram comportamento e rendas semelhantes entre si, o que excluiu a análise da classe C. Para 85% da classes D e E, o Dia da Consciência Negra é um momento de luta, contra 72% das classes A e B.
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O caminho para a igualdade de gênero ainda é longo, mas um bom início é se mulheres de todas as cores, classes sociais e credos compreendessem a importância de manter esta discussão ativa. Só existem dois motivos para ignorar o feminismo: um total desconhecimento da história, ou simplesmente não se importar com as milhares de mulheres sendo espancadas, oprimidas e mortas todos os anos.

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Fotos: Unsplash


Gabriela Glette
Uma jornalista e produtora de conteúdo que mora na França. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias. Gabriela também é fundadora do site Quokka Mag, onde fala apenas sobre coisas boas!

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