Reportagem Hypeness

Mulheres que superaram o câncer de mama dão suporte a outras pacientes pelo Brasil

por: Gabriela Rassy

Uma experiência pessoal pode nos impulsionar a fazer mais pelo próximo. No caso do câncer de mama, que tem um impacto não só na saúde, mas nos relacionamentos e na autoestima das mulheres, esse impulso vem da superação e da empatia.

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, depois do câncer de pele não-melanoma. O número fornecido pelo INCA corresponde a 28% dos casos novos de câncer em mulheres. O instituto ainda afirma que, mesmo com o aumento de casos no mundo, países e regiões mais desenvolvidas tiveram uma estabilização.

Segundo a Estimativa 2018 – Incidência de câncer no Brasil (INCA, 2017), o número de casos incidentes estimados de câncer de mama feminina no Brasil, para 2019, foi de 59.700.

Mas se aumenta um lado e diminui do outro o que pode estar acontecendo? Acesso à informação e exames preventivos. Se hoje o câncer de mama é o mais frequente nas mulheres das Américas, isso se deve também ao pouco acesso a serviços de educação e saúde.

Não solta a mão de ninguém

Para Maria Luíza de Oliveira, fundadora do Pérolas de Minas, grupo de apoio a mulheres em tratamento câncer de mama, informação é fundamental. “Temos que ter autoconhecimento do nosso corpo para notar alterações e levar informações sobre prevenção a todas as regiões do nosso país. As campanhas não podem ficar restritas aos grandes centros”, disse.

O Pérolas de Minas surgiu da união de mulheres que passaram pelo tratamento e sentiram que este era o câncer que as deixava mais fragilizadas. “Emocionalmente, fisicamente, na nossa autoestima, na sensualidade e nas questões que envolvem a maternidade”, explica Maria Luíza.

Assim como ela, outros grupos passaram a dar acolhimento para as mulheres com a doença. Em 2015, a jornalista e pedagoga Andréa Valle foi diagnosticada com câncer de mama. Depois de fazer a mastectomia radical da mama direita, ela teve dificuldades para lavar o braço e foi indicada para fazer fisioterapia oncológica.

Lá ela conheceu muitas mulheres que tiveram câncer de mama e, ouvindo suas histórias, descobriu que 80% são abandonadas por seus parceiros. Assim, em 2017, surgiu a ideia do ensaio fotográfico ‘Resiliência’, com 16 modelos da Baixada Fluminense. A Peito Aberto, com sede no Rio de Janeiro, foi tomando forma.

Em 2018 foi a vez de “Empoderamento”, novo ensaio agora com duas modelos com metástase e um homem que teve o câncer de mama. Neste ano, o tema é ‘Família’ e vai registrar 6 modelos com seus familiares.

Acolhimento

“Quando uma mulher fica doente, toda a família adoece. Deve-se acolher esta mulher com carinho, respeito e apoio”, diz Maria Luíza. O câncer é uma doença que ainda carrega o estigma da morte, mas hoje os tratamentos avançaram e existem vários medicamentos novos adequados para cada tipo de tumor e de mulher. “O câncer não é uma doença contagiosa. Abrace, diga que está junto e que ela não está sozinha nesta caminhada pela vida”, conforta.

Para Andrea, a sociedade como um todo também pode melhorar o acolhimento ao paciente oncológico de mama. Apoiar projetos. Instalações e ONGs que trabalham com esses pacientes é um primeiro caminho.

“Acolhimento, amor e, principalmente,
luta por políticas públicas
de saúde pela sociedade”

A informação é a parte fundamental para prevenção. Maria Luísa e Andrea falam em autoconhecimento do corpo, em fazer o acompanhamento médico anualmente com o ginecologista e, à partir dos 40 anos, acompanhamento anual com o mastologista.

Além do Pérolas de Minas e do Peito Aberto, outras associações oferecem apoio às mulheres que enfrentam o câncer mamário. No Estado de São Paulo existe o o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Assistência na Reabilitação de Mastectomizadas (Rema), da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. O Rema começou a fazer atendimentos em 1989 e, de acordo com matéria de Flavia Coltri no Jornal da USP, 1.640 mulheres já passaram pelo projeto.

No bairro de São Mateus, também em São Paulo, a Associação Rosa Mulher atua no acolhimento para melhoria da autoestima e qualidade de vida através da reabilitação emocional, física e estética. No DF, a ONG Vencedoras Unidas atua desde 2016 com mulheres acometidas pelo câncer. Com encontros mensais, elas ajudam no suporte às pessoas diagnosticadas.

A Associação Cearense das Mastectomizadas – Toque de Vida oferece apoio às mulheres mastectomizadas ou em tratamento desde 2006, em reuniões nas primeiras quintas do mês. Já em Salvador, pelo menos seis grupos prestam apoio às mulheres diagnosticadas. O Ivecan, em Monte Serrat, o NASPEC, no Engenho Velho de Brotas, os projetos Repartir e Sakura, a Rede por Você e o Gamma. Este último com atuação desde 1985, no Hospital Aristides Maltez, com atividades culturais e tardes de beleza gratuitas.

Vale procurar qual a associação atua cidade em que vive e buscar informações e apoio junto às mulheres. Elas terão a empatia e a experiência para ajudar em todo o processo. Juntas assim podemos superar as lacunas do ponto mais importante quando falamos em câncer de mama: o acesso à informação.

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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