Debate

O ‘hambúrguer de laboratório’ tem inúmeros problemas e precisamos falar sobre isso

por: Mari Dutra

Passado o furor causado pelos hambúrgueres do futuro, que prometiam carnes vegetais industrializadas com gosto idêntico ao original, os consumidores passaram a se perguntar: será que o produto é mesmo saudável?

A resposta é não.

Ser vegano não significa que um produto faça bem para a saúde, principalmente quando os derivados de animais são substituídos por alimentos ultraprocessados. É o caso dos hambúrgueres de laboratório, que possuem uma qualidade nutricional bastante duvidosa.

A composição do produto varia de acordo com a marca que o produz. O Futuro Burger, que já vem sendo comercializado nos supermercados brasileiros, traz os seguintes ingredientes:

Água, preparado proteico (proteína texturizada de soja, proteína isolada de soja, proteína de ervilha e farinha de grão de bico), gordura vegetal, amido modificado, cebola, sal, beterraba em pó, estabilizante metilcelulose, aromanatural e antioxidante àcido ascórbico

Em compensação, o hambúrguer de plantas vendido pela Beyond Meat traz a seguinte lista – lembrando que os ingredientes citados primeiro são sempre os encontrados em maior quantidade na receita:

Água, proteína de ervilha isolada, óleo de canola, óleo de coco refinado, proteína de arroz, saborizantes naturais, manteiga de cacau, proteína de feijão mungo, metilcelulose, amido de batata, extrato de maçã, sal, cloreto de potássio, vinagre, concentrado de suco de limão, lecitina de girassol, pó de romã, extrato de suco de beterraba (para cor)

Essas palavras parecem comida para você?

Saúde em risco

A verdade é que, além de estarem recheadas de nomes complicados e nada amigáveis ao paladar, estas carnes falsas também podem fazer mal à saúde. É o que explica uma matéria publicada pelo jornalista Matheus Pichonelli para o Tilt, do Uol.

A reportagem lembra que os produtos não passam de ultraprocessados e, assim como hambúrgueres ou salsichas de carne real, oferecem riscos à saúde quando consumidos em excesso. O consumo deste tipo de comida é associado a questões como obesidade, alteração dos níveis de colesterol, pressão alta, câncer, infarto, entre outras condições que afetam a saúde.

É claro que os hambúrgueres vegetais, quando consumidos com moderação, podem auxiliar no processo de transição para dietas vegetarianas ou vegenas. Embora questionável, este poderia ser o maior trunfo do produto.

E o sabor?

Nossa equipe já se aventurou ao degustar um destes hambúrgueres de plantas e aprovou o resultado. Apesar disso, a opinião não é unânime e, recentemente, a chef Paola Carosella levantou a polêmica sobre os produtos, dizendo que “não é hambúrguer, não tem gosto de carne, nem textura de carne, o que é óbvio, porque não é carne“.

Ela ainda classificou o produto como uma “bosta ultraprocessada oportunista” – e, de quebra, conquistou mais de 4 mil retweets, o que aparentemente significa que não é a única a ter essa opinião.

Com a palavra, a Fazenda Futuro

Em contato com o Hypeness, a Fazenda Futuro ressaltou que os produtos não são carne de laboratório, que segundo ele “usa celular animal para derivar uma nova carne”.

A companhia ressaltou que durante dois anos desenvolve tecnologias para criar alimentos sem origem animal, “mostrando que é possível revolucionar a indústria alimentícia sem causar um impacto negativo ao meio ambiente”. 

“Por trás do desenvolvimento Futuro Burger, primeiro produto da Fazenda Futuro, houve todo um cuidado para reproduzir uma versão com valor nutricional muito próximo ao da carne vermelha, com a mesma quantidade de proteína, mas com a diferença de ter uma quantidade mais baixa de gordura”, pontua.  

A Fazenda Futuro ressaltou que “qualquer alimento que não seja in natura é processado”. A empresa destaca que “ultraprocessados são alimentos que usam aditivos químicos, o que não é o caso da Fazenda Futuro. Todos os ingredientes são de origem vegetal e natural”

“Na Fazenda Futuro acreditamos que é possível revolucionar a indústria alimentícia sem causar um impacto negativo ao meio ambiente. Somos uma empresa que já nasceu 100% plant based e com propósito de mudança. Não viemos de uma necessidade de diversificação de portfólio, mas sim por acreditar que se uma empresa é parte do problema, não é dela que virá a solução. Seguimos com a nossa meta de evoluir com novas gerações (versões) da nossa carne e chegar em um volume que nos permita ser mais mais barato que carne de origem animal”, destaca Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro.

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Foto em destaque: Divulgação


Mari Dutra
Especialista em conteúdos digitais, Mariana vive na Espanha, de onde destila textos sobre turismo, sustentabilidade e outros mistérios da vida. Além de contribuir para o Hypeness desde 2014, também compartilha roteiros e reflexões mundo afora no blog e no Instagram do Quase Nômade.

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