Debate

O papel do Brasil na revolta contra a Igreja Universal que gerou mortes e crise diplomática na África

por: Jonas Carvalho

Discriminação, humilhações, ofensas e mesmo escravização de pastores africanos foram apenas algumas das acusações contra a Igreja Universal do Reino de Deus, feitas por um pastor de São Tomé e Príncipe, em uma crise sem precedentes que tem mobilizado a cúpula da entidade, congressistas e diplomatas brasileiros e autoridades do país africano.

A nação do oeste do continente e com cerca de 200 mil habitantes pode inclusive expulsar a Universal de seu território, ao mesmo tempo em que templos têm sido depredados por causa da insurgência da população após as denúncias do clérigo africano, como conta a BBC.

— Condenada na Justiça, Universal é acusada de esterilizar pastores

Distúrbios contra Igreja Universal em São Tomé e Príncipe

Em setembro, o então pastor são-tomense da Universal Iudumilo da Costa Veloso foi preso na Costa do Marfim, sob a acusação de escrever mensagens dizendo que a igreja cometia abusos contra funcionários africanos.

Nos textos, de acordo com a reportagem, a Universal privilegiava pastores brasileiros e discriminava os africanos, impedindo-os de se casar ou os obrigando a fazer vasectomia. O autor também disse que bispos e pastores brasileiros se apropriavam dos dízimos, além de “humilhar, insultar, esmagar e escravizar os (pastores) africanos”. O autor pedia aos funcionários locais para se insurgirem contra a igreja.

Iudumilo foi considerado culpado pelas mensagens e condenado a um ano de prisão, além de ser expulso da Universal. Ana Paula Veloso, esposa do pastor, deu depoimentos em entrevistas e redes sociais para contar o drama familiar, e seus relatos fizeram insurgir uma revolta contra a igreja brasileira em São Tomé, diz o texto.

Vários templos foram depredados e um jovem de 13 anos chegou a morrer durante os distúrbios. A oposição do país africano também interveio para pedir a repatriação do pastor que fez as denúncias e, também, expulsar a Igreja Universal de São Tomé e Príncipe.

O embaixador brasileiro no país, Vilmar Júnior, e o bispo da Universal e deputado federal Márcio Marinho (Republicanos-BA) foram algumas das autoridades brasileiras que se mobilizaram para acalmar os ânimos. Além disso, o ex-presidente são-tomense Miguel Trovoada teria telefonado ao presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, para tratar do tema. A mobilização resultou na libertação do pastor, que ainda não pode deixar o território marfinense.

Em entrevista também para à BBC, o produtor cultural são-tomense Nig d’Alva afirmou a revolta “foi a gota d’água de decepções que algumas pessoas tiveram em relação à igreja”. Há ‘repulsa‘ no país quanto a postura ‘segregadora‘ da Universal e muitos fiéis deixaram de conviver com outras pessoas “porque a igreja diz que são mundanas, que não são cristãs o suficiente, e isso cria um ódio”, resumiu.

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Foto: Divulgação/Reprodução


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