Futuro

Orquestra toca música composta com ajuda de inteligência artificial

por: Rafael Oliver

A tecnologia tem sido cada vez mais usada como ferramenta da capacidade humana de criar. São infinitas as possibilidades computacionais que a ciência nos permite e isso tem atraído profissionais de todas as áreas. Na arte, não é diferente. A tecnologia ainda não pode substituir o artista, mas já pode ajudá-los na criação de ideias através de uma inteligência artificial que está cada vez mais poderosa. Recentemente, uma música inédita foi lançada a partir de uma parceria humano-tecnológica realizada pela Dell Technologies: regida pelo maestro João Carlos Martins com a Bachiana Filarmônica SESI-SP, a melodia contou com o auxílio de inteligência artificial, que converteu depoimentos de colaboradores em notas musicais. Diversos materiais em vídeo, texto e áudio foram convertidos por um algoritmo que criou a melodia.

A música foi lançada na festa de comemoração dos 20 anos da Dell no Brasil. Foram coletados mais de 200 depoimentos de colaboradores contando histórias sobre as duas décadas da marca no nosso país. A canção final foi composta pelo maestro Adriano Machado que pegou as melodias geradas pelo algoritmo de IA para a composição. A música, ainda em versão adaptada para pessoas com deficiência, realizada em conjunto com o O Laboratório de Educação à Distância para Pessoas com Deficiência (LEAD), criado pela Dell Computadores, em parceria com a Universidade Estadual do Ceará, que tem como objetivo desenvolver soluções de ensino à distância que aumentem as oportunidades de empregabilidade de pessoas com deficiência no Brasil.

Para entender tudo isso, falamos com diversos profissionais que contribuíram para a realização desse projeto inovador: Luiz Gonçalves, presidente da Dell; Lidiane Silva, do LEAD; e Jonas Dias, do time de inteligência artificial.

A tecnologia avança de forma surpreendente. Mas até onde vai essa inteligência artificial? Robôs irão criar músicas inteiras?

Jonas Dias (Membro da Equipe de Inteligência Artificial):  Esse tema é muito interessante,  muito discutido, não só na música, mas em várias artes. A capacidade computacional para criar coisas novas já existe, já temos algoritmos nessa área, temos capacidades de compor música, mas a maioria desses algoritmos fazem essa composição baseado no passado. Eles observam nas músicas do passado um conjunto representativo e a partir daí tentam construir algo novo. Atualmente, a maioria dos algoritmos de inteligência artificial funciona de forma pouco atrativa. Dificilmente você vai se emocionar com uma música criada dessa forma. Então, acho que tem muito disso, de trazer emoção.

Então os artistas não precisam se preocupar em perder o lugar para a inteligência artificial, certo? Como essas profissões se adaptarão no futuro? 

Jonas Dias (Membro da Equipe de Inteligência Artificial): Para mim é muito mais interessante essa parceria entre o que é humano e tecnológico, associar a tecnologia  ao avanço do que a humanidade vai se tornar. Em termos de arte, a tecnologia pode funcionar como esse trampolim. A inteligência artificial pode auxiliar os compositores. E é isso o que a gente fez: pegamos depoimentos de pessoas que não são musicistas, muitos deles não teriam a capacidade de compor, mas tinham capacidade de gerar um depoimento e desse depoimento geramos uma semente, um trampolim para o maestro transformar isso em música. Pensando nos compositores do futuro, talvez eles não tenham que partir de algo em branco, mas podem partir de ideias geradas por IA, como se fossem sementes, que produzem um broto de ideia. O compositor vai cultivar aqueles brotos e transformar aquele broto em árvore, em floresta, que vai ser a composição final. Então a tecnologia vai ser mais uma ferramenta na capacidade humana de criar e não um substituto do artistas.

Diversas mensagens de pessoas com deficiência também foram adaptadas. Como foi esse processo? 

Lidiane Silva (membro do LEAD): Coletamos depoimentos de pessoas com diversos tipos de  deficiência. Por exemplo, um surdo gravando um vídeo em libras. Fizemos a interpretação dos vídeos em libras para texto, esses textos geraram os códigos, que juntava com o algoritmo que o pessoal fez e transformava em melodia. Foram quase 50 pessoas envolvidas no projeto, envolvemos todas áreas da Dell, todas pessoas que foram convidadas a participar. Uma grande quantidade de crianças com deficiência que colocamos nesse projeto, foi incrível e desafiador. O resultado final vai ficar para história do LEAD e da Dell.

Isso faz parte de um trabalho diário da empresa voltado para pessoas com deficiência?

Lidiane Silva (membro do LEAD): Sim… A gente capacita muitas pessoas com deficiência no Brasil, com projetos sociais da Dell, então faz parte da nossa essência, o LEAD  foi criado para isso, pra tirar as pessoas com deficiência dos subempregos. Foi uma experiência muito bacana poder compartilhar com eles Elas se sentiram tão incluídas, de poder participar e está acessível para elas, de poder contribuir, de trocar as melodias que foram criadas. Então foi uma experiência completa, desde do processo de criação, os depoimentos que viraram as melodias, as músicas finais.

Como surgiu essa ideia? 

Luiz Gonçalves (Presidente da Dell): Funcionários se voluntariaram para essas mensagens. Já tínhamos esses depoimentos, utilizados em outros eventos e pensamos: “que tal converter isso em melodia e criar  uma música?”. De início confesso que achei interessante mas me preocupei com a viabilidade disso. Mas no final tínhamos todos os instrumentos se conectando com o grupo de mídia, ali nosso centro de desenvolvimento, incorporamos profissionais da área que tinham condição de dar esse acabamento. Mas, o mais interessante de tudo para a Dell, é que essa ação trouxe de forma muito vívida a filosofia da companhia. A tecnologia complementa o ser humano para promover o progresso dele. Foi isso que fizemos: iniciamos com o ser humano nos depoimentos, utilizamos a tecnologia para transformar isso em melodias e novamente você utiliza a competência do ser humano para criar uma peça de arte. Esse é nosso mote: a tecnologia tem que ser usada para fomentar o progresso humano e foi legal ver os colaboradores incorporando isso .

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Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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