Tecnologia

Primeiro vírus de computador veio antes mesmo da internet; entenda

por: Vitor Paiva

O espírito zombador do ser humano é capaz de infectar qualquer coisa – inclusive os computadores. Não é por acaso que os vírus de computadores surgiram muito antes da própria internet – e foi batizado em homenagem a um vilão do Scooby Doo. Creeper era o nome do vilão, que quer dizer “trepadeira” mas também “pessoa de comportamento inapropriado” em tradução – e era definidamente de modo inapropriado que o vírus se comportava, mas assim como os vilões do Scooby Doo, ele era essencialmente inofensivo.

Bob Thomas, criador do primeiro vírus de computador

O Creeper foi criado em 1971 pelo americano Bob Thomas, e se espalhava pelos gigantescos computadores mainframe DEC PDP-10 – através da ARPANET, uma primeira versão ancestral de uma rede de transmissão de dados, como uma avó da internet. O Creeper, porém, não fazia mal a ninguém, e somente exibia na tela a frase: “Sou o Creeper: pegue-me se for capaz”. Foi esse primeiro vírus que serviu de inspiração naturalmente para o desenvolvimento do primeiro antivírus: o Reaper, criado por Ray Tomlinson, que viria também a criar o e-mail.

Tela exibida pelo vírus Creeper

O imenso computador mainframe DEC PDP-10

O nome “vírus”, no entanto, só surgiria em 1983, quando os computadores pessoais já começavam a se popularizar – através de um artigo do então estudante Fred Cohen, da Universidade do Sul da California, que demonstrava como programas escondidos poderiam se espalhar e prejudicar máquinas. E depois do batismo, surgiu o primeiro vírus de alcance internacional: em 1986, os irmãos paquistaneses Basit e Amada Farooq Alvi, para impedir a cópia pirata dos softwares que desenvolviam em sua loja de computadores, desenvolveram um programa chamado Brain, inserido em cada programa que vendiam. Se o disco era copiado, o nome, telefone e endereço dos irmãos aparecia na tela, oferecendo o produto original.

Bastou que um turista comprasse uma versão pirata de um software dos irmãos Alvi para que rapidamente o Brain se espalhasse pelo mundo. A infâmia, porém, reverteu-se em sucesso para os irmãos: em alguns anos a lojinha se tornou o Brain Net, o maior provedor de internet do Paquistão. Mas décadas antes da internet já existia o Creeper, o primeiro vírus tecnológico do mundo – o que comprova que, antes mesmo de qualquer rede social, a zoeira já reinava no mundo virtual.

Tela do Brain

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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