Tecnologia

Reconhecimento facial em igrejas capta emoção de fiéis em cultos

por: Gabriela Glette

O Brasil é o segundo maior país cristão do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 86,8% do Brasil são cristãos – sendo 64,6% católicos, e 22,2% evangélicos.

E, ao que tudo indica, este número tende a permanecer alto, já que as igrejas estão começando a se adaptar ao mundo tecnológico de hoje. Uma reportagem investigativa da Agênecia A Pública mostra que a A Kuzzma – empresa estrangeira de inteligência artificial, acaba de lançar um serviço de reconhecimento facial voltado para igrejas no Brasil. Com um ar de ‘Black Mirror’, a tecnologia permitirá identificar a assiduidade e até emoção dos fiéis durante cultos sem consentimento expresso.

Parece ‘Black Mirror’, mas é vida real

Com o slogan ‘mude a maneira de operar sua igreja‘, o lançamento, diz a matéria da Pública, foi feito no mês de outubro na 15ª ExpoCristã – maior evento voltado para o público cristão da América Latina. Com a presença do CEO da empresa – Marcelo Scharan, os visitantes ainda puderam assistir uma palestra intitulada ‘Personalização, dados e igreja’. Liberdade, para quê? Mark Zuckerberg não é o único a querer ter o controle total sobre nossas vidas.

Segundo Luís Henrique Sabatine – diretor de desenvolvimento da empresa, em entrevista à Agência a Pública, “hoje em dia quem não deseja ter o controle do seu ambiente? De quem entra e quem sai? Nas igrejas nós constatamos que eles queriam muito saber disso e por isso trouxemos essa tecnologia”.

 

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O reconhecimento facial funciona a partir de uma câmera panorâmica de alta resolução instalada nas igrejas, identificando informações pessoais e assiduidade dos fiéis nos cultos. A partir disso, são gerados relatórios para cada pessoa, incluindo estatísticas sobre seu comportamento e até avisando em casos de atividade considerada anormal.

O serviço oferecido é polêmico, e os representantes da empresa preferiram não dar entrevistas, ao menos durante a feira. No Brasil, a empresa é representada por Marcelo Scharan Augusto, sócio das empresas Eletrica Stillo Ltda., de material elétrico, e Pier Cloud Consultoria Eireli, de serviços de hospedagem em internet e provedor de dados.

A mesma tecnologia também já vem sendo usada há mais de um ano pelo site brasileiro Igreja Mobile, especializado na transmissão de cultos online. O site, como mostra a reportagem, oferece relatórios de quantidade de pessoas presentes, gênero, idade média dos fiéis, assiduidade e análise de sentimento, conforme divulgado no próprio site.

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Segundo Sabatine, cerca de 40% dos clientes da Igreja Mobile – 160 igrejas – utilizam o serviço de reconhecimento facial. Segundo o diretor de desenvolvimento da Igreja Mobile, a tecnologia de reconhecimento facial oferecida precisa ser alimentada com dados de fiéis, como nome e foto, para poder gerar os relatórios individuais para cada um. Nesse momento de registro, os fiéis assinam termo consentindo o uso dos dados pela igreja. No entanto, o mesmo não acontece em outras igrejas também usuárias da tecnologia.

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Mas, a pergunta que devemos nos fazer é: Assinar um termo de consentimento basta para garantir nossa privacidade? Para a especialista em uso de dados pessoais – Joana Varon, diretora da organização Coding Rights, não. Ela conta em conversa com A Pública que é preciso “saber muito claramente para que fins é a coleta de todos esses dados”, explica Joana, que afirma que o fiel que já frequenta a igreja pode se sentir coagido a aceitar os termos caso deseje continuar frequentando os cultos.

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Fotos: foto 1: Wikipédia/foto 2, 3 e 4: Unsplash

 


Gabriela Glette
Uma jornalista que ama poesia e mora na França, onde faz mestrado em comunicação. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias.

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