Ciência

Soluço em bebês está ligado ao desenvolvimento do cérebro, aponta estudo

por: Vitor Paiva

Os motivos pelos quais espasmos em nosso diafragma nos fazem soluçar ainda não são totalmente claros, e nos bebês os soluços são constantes, em uma mistura de fofura e incômodo. Um estudo realizado por pesquisadores da university College London, na Inglaterra, e publicado na revista científica Clinical Neurophysiology sugere que os soluços podem ter função determinante no desenvolvimento cerebral nos bebês, explicando a inclinação natural dos recém-nascidos a soluçarem por cerca de 15 minutos diários somados.

O estudo observou a atividade cerebral de 13 bebês, entre prematuros e não prematuros, através de eletroencefalogramas para estudar as ondas do cérebro em reação a cada soluço. A análise envolveu também bebês durante a gestação, já que os úteros começam ainda no útero, e percebeu duas grandes ondas cerebrais seguida por uma terceira como resposta no córtex. “A atividade resultante de um soluço pode estar ajudando o cérebro do bebê a aprender como monitorar os músculos respiratórios, para que eventualmente a respiração possa ser controlada voluntariamente, movendo o diafragma para cima e para baixo”, afirmou Lorenzo Fabrizi, coautor do artigo.

A sugestão do estudo pode ajudar não só a compreender o desenvolvimento cerebral e muscular dos recém-nascidos, como a pensar os soluços em adultos. “Nossas descobertas fizeram nos perguntar se os soluços em adultos, que parecem à primeira vista apenas um incômodo, podem na verdade ser um resquício da infância, quando tiveram uma função importante”, afirmou Kimberley Whitehead, pesquisadora e líder do estudo.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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