Sustentabilidade

Veja o primeiro disco feito inteiramente de plástico retirado do oceano

por: Vitor Paiva

Anualmente, 8 milhões de toneladas cúbicas de plástico são despejadas nos oceanos, ampliando as 150 milhões de toneladas que já boiam atualmente nas águas dos mares. Em um paralelo em princípio aleatório, os LPs, que nunca chegarão a desaparecer como meio para se ouvir música mas que amargaram um ostracismo próximo da morte, estão definitivamente de volta: 2019 será o primeiro ano desde 1986 em que os LPs irão superar, em valores gerais, a venda de CDs. No ano passado foram cerca de 19 milhões de vinis vendidos, e as pesquisas confirmar que esse ano o número será ainda maior. Uma cervejaria britânica se uniu a um músico e um fabricante de discos para juntar as duas tendências – a triste poluição plástica e a feliz volta do vinil – em uma só, para fabricarem o primeiro disco feito inteiramente de plásticos retirados dos mares.

A cervejaria Brewery convidou o músico Nick Mulvey e levou o projeto à fábrica Tangible Formats, para transformar o disco “In The Anthropocene”, de Mulvey, em um álbum físico de 10 polegadas utilizando como matéria prima somente plásticos retirados da costa de Cornwall, condado no sudoeste da Inglaterra.

A motivação para a iniciativa é ambiental e também regional, como diz o release do projeto: “A cultura de Cornwall é construída ao redor do oceano – seja pela comida, o surfe ou pela cerveja Atlantic Ale”, diz o texto. “Estamos animados em dizer que iremos mudar a indústria fonográfica com o lançamento de ‘In The Anthropocene’, de Nick Mulvey – ao reciclar plástico descartável encontrado em nossas praias e transformando-os em um vinil oceânico”.

As vendas do disco, tanto físicas quanto digitais, serão revertidas para a ONG Surfers Against Sewege, uma organização britânica que trabalha para salvar as praias do Reino Unido da poluição. “O novo ‘vinil oceânico’, que utliza plástico poluente e o transforma em algo positivo, é uma maneira poderosa de nos ajudar a levantar investimentos e continuar a espalhar nossa mensagem”, diz a ONG. Além de trazer uma nova utilidade para os plásticos que poluem nossos mares, a ideia pode servir como uma contundente sugestão para os próprios fabricantes de vinis, já que a fabricação de LPs também utiliza elementos poluentes.

“Esses tempos de crises globais urgentes estão exigindo que reexaminemos a nós e ao mundo e nos elevemos à altura do planeta, esse organismo fabuloso do qual jamais nos separamos e jamais iremos nos separar”, disse Mulvey.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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