Sustentabilidade

Voluntários criam tecnologia para proteger manguezais e água doce do óleo no sul da Bahia

28 • 11 • 2019 às 18:51 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Em meio ao tragicamente literal mar de horrores que emana da atual administração do Ministério do Meio-Ambiente, é tocante (ainda que absurdo) ver o povo tomando a frente do combate ao maior derramamento de petróleo da história do país. Em todo o litoral nordestino, a população local colocou a saúde em risco para, com as próprias mãos, tentar amenizar a tragédia – e no sul da Bahia, um professor e pesquisador desenvolveu uma barreira aquática capaz de evitar ou reduzir ao menos a chegada do óleo no mangue local.

A tecnologia foi desenvolvida por Anders Schmidt, professor da Universidade Federal da Bahia, e consiste em uma manta impermeável sustentada por tubos de aço e troncos de eucalipto localizada na entrada da foz do rio. Movida pela força das mares e do vento, a manta “desvia” o petróleo até um trecho da praia intitulado “zona de sacrifício” – um local que precisa ser mantido constantemente limpo, retirando o depósito de óleo.

Essa não foi, no entanto, a única barreira desenvolvida por moradores para amenizar o problema. Em Piracanga, na península de Maraú, litoral sul do estado, uma equipe liderada pelo fotógrafo Willians Gomes, utilizou materiais como sombrite, cascas de coco e garrafas plásticas para criar quatro redes de contenção, e ainda duas mantas absorventes, capazes de impedir a passagem do óleo sem atrapalhar os animais marinhos que atravessam a foz do Rio Piracanga.

Segundo Willians, o sistema – que ainda está em processo de instalação – será capaz de conter 99% do petróleo, tanto em partículas quanto diluído.

A força e a dedicação de tais populações só ilustram não só a força do povo, como também a importância do investimento na ciência e na tecnologia pelo meio-ambiente – e o quanto o governo seria capaz de fazer com um pouco de boa vontade, sensatez e propósito ecológico e humanitário.

Publicidade

© fotos: divulgação/Greenpeace


Canais Especiais Hypeness