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Whindersson Nunes liga depressão com viagem para África e quer ajudar na cura do câncer

por: Karol Gomes


“Tirei umas férias grandes, peguei um atestadão de quatro meses, fiquei sem fazer nada, ficava o dia todinho assistindo televisão e caminhando dentro de casa feito besta. Foi muito bom ter esse tempo, aproveitar o meu dia e olhar dentro da minha própria casa”. Depois desse longo período de férias forçadas em função da depressão, o humorista e Youtuber Whindersson Nunes está de volta com sua fala sincerona em entrevista para o UOL sobre o tratamento e seus planos para o futuro – que são grandes. 

Seu quadro depressivo foi acentuado por uma vida estressante, com publicações e rixas na internet, viagens pelo Brasil e mundo para fazer shows, além de gravações de filmes e série para TV – isso tudo com 24 anos e um número de seguidores – que é três vezes maior do que a população inteira de Portugal – apenas no Instagram: 36,7 milhões (sem contar os milhões no Youtube e Twitter). 

Whindersson Nunes quer ajudar na cura do câncer

Há dois meses, Whindersson voltou oficialmente aos palcos e se apresentou para mais de 10 mil pessoas no último domingo (24), no Rio de Janeiro. O ritmo de volta não tem sido reflexo da calmaria das férias. A rotina e agenda de compromissos do humorista seguem aceleradas, com agenda cheia de shows e turnê fechada para os Estados Unidos em fevereiro e março de 2020 com 20 apresentações, como se aqueles quatro meses nunca tivessem acontecido. 

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O show ‘A Volta do que Não Foi‘ durou pouco mais de uma hora e entre os assuntos abordados pelo comediante estão a própria depressão, o problema no c*‘, segundo ele causado por estresse, que resultou em cirurgia, com pós operatório dolorido.

Também foram pautas da apresentação, algumas experiências de viagens pelo mundo com a esposa, a cantora Luísa Sonza, entre elas um safári pelo continente africano que o fez pensar muito. 

Ainda na exclusiva para a UOL, ele contou que, uma visita a Moçambique, pouco tempo depois do país ser atingido pelo ciclone Idai, que causou centenas de mortos e desabrigados, o deixou abalado.

“Essa foi uma das coisas que fez eu ficar mal no momento da depressão: que foi justamente quando voltei da cidade de Beira, lá em Moçambique. Fiz até um show em Maputo e não consegui nem trazer esse dinheiro, eu pensava tanto que eu falava: ‘não tem condição de levar isso do povo, pelas coisas que vi’. Fiquei pensando nisso. Vi muito extremo”, lembra. 

E por extremo, é importante considerar o contexto do continente, que não é só o retrato da miséria que a mídia costuma destacar, como apontou o repórter do Hypeness, Kauê Vieira, ao registrar seu rolê no centro financeiro e cosmopolita da África do Sul pós-apartheid

Whindersson também comentou que a experiência na África o fez pensar muito sobre o Brasil. Apesar dos pontos desenvolvidos, ainda há miséria. 

Esse momento o inspirou a retomar um projeto cujo objetivo é apoiar crianças.  Financiar pesquisas científicas também está em seus planos. “Gosto que as pessoas entendam que tudo o que a gente tem hoje, muita gente luta para fazer uma pesquisa, para que de fato a gente saiba, por exemplo, a cura do câncer”.

E quando vem o bebê, hein? 

Ao UOL, o piauiense ainda comentou as opiniões que viu pela internet sobre o seu quadro depressivo. Muitos não entendiam como ele poderia ter essa doença sendo milionário. Outros, sugeriam a Luísa que o presenteasse com um filho para que isso pudesse animá-lo. Para ele, tudo isso estábastante fora da realidade e dos desejos do casal, casado há um ano e nove meses. 

O comediante quer ter mais tempo para curtir a vida a dois e para se organizar com trabalhos, antes de pensar em aumentar sua família.

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Um #tbt bem ensolarado e gostosin ☀️ @maxmilhas

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Há pouco tempo, Whindersson comentou no Twitter sobre como era bom ser milionário. Mas, quando precisou se afastar para tratar a depressão, preferiu se recolher, voltar para sua raízes e passar um período com os pés no chão, junto de suas raízes, em Bom Jesus, no interior do Piauí. 

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Acompanhando Whindersson de volta para a correria das viagens e projetos profissionais, só podemos torcer para que ele se mantenha saudável física e psicologicamente, para depois cuidar da família, das crianças na África, no Brasil e onde mais puder e desejar!

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Foto: Reprodução/Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


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