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Xuxa detalha abusos sofridos e diz ‘querer emprestar voz’ para crianças

por: Redação Hypeness

Xuxa Meneghel utilizou sua coluna na revista Vogue para contar histórias estarrecedoras dos abusos sexuais sofridos durante a infância. A apresentadora citou ainda o desejo de se tornar uma voz para que situações semelhantes não aconteçam com outras crianças. 

“Nós geralmente não queremos falar, porque é feio, porque não é certo, porque aprendemos que sempre tem que ter um culpado numa situação como essa. E é claro que nos sentimos culpados – eu me sentia culpada apenas por existir. Dos 4 até os meus 13 anos, eu passei por várias situações que me fizeram ter mania de limpeza. Tomo de 3 a 4 banhos por dia, tenho vontade de estar com crianças pois elas não me fariam nenhum mal – isso é coisa de adulto. Hoje, quero emprestar minha voz em campanhas para crianças que não falam, não gritam e choram sozinhas. Eu preciso fazer isso por elas, já que não fiz por mim”, destaca. 

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Xuxa revela série de abusos sofridos na infância

Xuxa não esconde o impacto dos abusos, que são classificados por ela como “o mais difícil que já viveu em seus 56 anos”. Ela explica que tudo aconteceu durante a infância no Sul do país. “Minha mãe costumava colocar um edredom no chão depois do almoço e deitar com nós cinco para tirar um soninho na parte da tarde”. 

De acordo com Xuxa, a mãe nunca teve condições de pagar uma babá, mas isso, diz ela, não foi um agravante para os abusos. “[Minha mãe] não deixaria nada de mal acontecer com um dos cinco filhos dela”. Xuxa segue com o relato do primeiro abuso, “por que fui a escolhida? Não sei, mas me lembro de um cheiro de álcool de alguém, uma barba que machucou o meu rosto e algo que foi colocado na minha boca”, inicia. 

À frente do programa ‘Dancing Brasil’, da Record TV, ela dá mais detalhes, “acordei dizendo que alguém tinha feito xixi na minha boca e os meus irmãos disseram que eu tinha sonhado. Essa foi minha primeira experiência com abuso sexual, que, diga-se de passagem, eu não me lembro direito, mas existiram outros casos”. 

A ex-apresentadora da TV Globo recorda de situação que teria acontecido quando tinha por volta dos 5 anos de idade. 

“Me lembro que andávamos de Kombi. Nós crianças íamos atrás. Eu tinha 5 ou 6 anos e os mais velhos eram pré-adolescentes, primeiros de segundo grau e amigos muito próximos da família. Sentia tocarem em mim, colocavam o dedo, doía, não sabia distinguir o que sentia, por isso não chorava e nem reclamava com ninguém sobre o acontecido”, pontuou. 

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Xuxa falou sobre o assunto em coluna na revista Vogue

A comunicadora revela situação comum para muitas mulheres vítimas de abuso, a paralisia que impede de fazer a denúncia. 

“Essa mesma pessoa vinha ao Rio quando eu já tinha entre 9 e 10 anos, e, quando a família dormia, colocava seus dedos por debaixo dos lençóis e me tocava. Nesse tempo, esse parente distante já era um adolescente e sempre que podia me tocava. Por que eu não gritava, não chorava? Não sei!” 

Xuxa adiciona, “meu professor de matemática do colégio Itu, que atendia pelo nome de Maurício, me chamou depois da aula e, mesmo na frente da minha amiga Yara, ele disse que queria me deixar só de calcinha e colocar nas minhas coxas. Me perguntava: o que seria isso?” 

“Foi então que eu vi pela primeira vez alguém se masturbar. No outro dia, ele mandou que eu fosse ao quadro para escrever alguma coisa antes que os outros alunos da sala entrassem. Era hora do recreio, ele disse que isso iria me ajudar nas notas finais”.

 O depoimento é pesado e mostra inclusive situações ocorridas dentro da sala de aula. 

Meu professor de matemática do colégio Itu, que atendia pelo nome de Maurício, me chamou depois da aula e, mesmo na frente da minha amiga Yara, ele disse que queria me deixar só de calcinha e colocar nas minhas coxas. Me perguntava: o que seria isso? Foi então que eu vi pela primeira vez alguém se masturbar. No outro dia, ele mandou que eu fosse ao quadro para escrever alguma coisa antes que os outros alunos da sala entrassem. Era hora do recreio, ele disse que isso iria me ajudar nas notas finais.

Após mudar de escola, Xuxa aponta o nome de Ubirajara, namorado de sua avó. A apresentadora explica que foi sua mãe a responsável pelo fim do relacionamento entre os dois. 

“Eu ia ao apartamento dela, ficava vendo TV e o futuro ‘vovô’ ficava perto e me fazia carinho até que minha vó fosse costurar e ele pedia para eu sentar no colo dele. Às vezes ele tomava banho e deixava a porta aberta. O barulho que minha vó fazia enquanto cozinhava ou costurava o deixava livre para vir até a porta se tocar me olhando. Eu não entendia por que ele fazia isso e nunca perguntei nada. Então, ele começou a tocar meus futuros peitos – sim, ainda não tinha nada a não ser um mamilo um pouco maior. Uma vez vendo TV, ele acariciou meu cabelo, o cheirou e logo depois desceu a mão para os meus (quase) seios e os apertou. Doeu e eu o fiz parar, e ele disse que era só um carinho e que só o ‘vovô’ podia fazer porque me amava como neta”.

Por fim, Xuxa conta que foi abusada por um amigo do pai, Álvaro, de acordo com ela. O primeiro episódio abusivo ocorreu quando ela tinha 11 anos e voltou a acontecer dois anos depois. 

“Meu pai alugou uma casa, a casa azul, que era muito pequena, só tinham dois quartos. Meu pai e minha mãe ficavam em um, e o outro com duas beliches era onde dormíamos eu e meus irmãos. No alto verão, dormíamos na varanda de tanto calor e minha mãe colocava o famoso edredom e fazia uma cama enorme. Lá dormíamos eu, meus irmãos, amigos dos meus irmãos e às vezes um casal amigo dos meus pais. O homem, que se chamava Álvaro, era sem dúvida o melhor amigo do meu pai. Ele dormia no meio de todos para fazer companhia e cuidar das crianças, mas eu acordava com sua mão me tocando. Por que eu? Não sei!”

Ela concluiu o raciocínio. 

“Aos 13 anos, ele fez uma casa e me chamou para ver como estavam as obras. Disse que eu teria um quarto para dormir lá quando quisesse… Eu até o chamava de padrinho! Ele disse: ‘Dá um abraço no seu padrinho, faz tempo que você não faz isso’ e me encurralou na parede de pedras da varanda e colocou suas mãos por debaixo da minha camiseta. Eu estava de biquíni e camisetão. Ele tentou beijar minha boca. Me lembro que chovia e eu saí correndo pela rua até chegar na praia. Chorava muito, peguei um punhado de areia e passava no meu corpo para limpar toda sujeira que estava impregnada há anos… Chorei muito e pensei: ‘se falo pra minha mãe, eles vão se separar, pois ele era o melhor amigo do meu pai. Se falo para o meu irmão, ele vai querer matá-lo”.

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Fotos: Reprodução/Instagram


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