Entrevista Hypeness

Alquimista fala sobre saberes ancestrais e indica rituais para o ano novo

por: Brunella Nunes


Muitas pessoas guardam na memória a recordação das avós e bisavós medicando a família inteira. O remédio não vendia na farmácia, mas na mercearia da esquina ou era colhido no próprio quintal. Voltando o olhar para o que se perdeu na era da industrialização, a alquimista Estefânia Verreschi resgata a cura por meio da sabedoria ancestral e indica rituais para o Ano Novo começar mais leve e você mais forte.

Nascida na cidade de Cunha, interior de São Paulo, Estefânia sempre esteve ligada à natureza de alguma forma. Dentro das brincadeiras da infância no campo, carregava consigo numa “maleta de cura”, folhas, sementes, talco e pedras, das quais ela mantinha uma imensa coleção.

Talvez este tenha sido o primeiro sinal do que viria a ser futuramente. Ainda na fase de criança curiosa, descobrindo seu próprio mundo, visitava uma vez por semana benzedeiras e senhoras erveiras, que entendiam e respeitavam as funções fitoterápicas das plantas.

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“Eu via a natureza como quem a veste”

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Na vida adulta, seguiu com a afeição pelas botânica. Tornou-se professora infantil e conciliava o trabalho junto à sua marca de aromaterapia, Ervaria das Luas, até que um dia o corpo adoecido a levou de volta para aquilo que deu origem a tudo: a cura por meios naturais. Depois disso, resolveu se dedicar apenas à sua vocação de berço.

Na entrevista abaixo, ela conta ao Hypeness os detalhes dessa trajetória, a importância de conexão com os saberes ancentrais e quais dá dicas de rituais bem simples para começarmos o 2020 com a energias renovadas, afinal, precisamos estar todos fortes e atentos para lutar contra as desarmonias cotidianas.

Hypeness: existe uma desconexão profunda com a sabedoria ancestral no mundo doido em que vivemos. Resgatar esse contato foi algo que veio naturalmente para você?

Estefânia: a desconexão com a sabedoria ancestral vem da desconexão com a natureza. A diferença entre a nossa sociedade e os povos originários, seja aqui ou na Austrália, é que eles sabem quando agir e quando se recolher, quando semear e quando colher. A nossa sociedade não sabe mais lidar com o tempo das coisas.

O resgate de tudo isso é pra mim um exercício diário. Por sorte os óleos e as plantas estão sempre por perto para me lembrar.

– A sua ligação com as erveiras na infância teve influência familiar? Como despertou esse interesse?

Não me recordo de ter alguém na família ligada ao assunto. Morando na zona rural, o ir e vir autônomo da criança é mais fácil. Eu fazia muitas coisas sozinhas e sem problema algum.

Mantinha um caderno onde colava a folha da planta medicinal e escrevia as propriedades sempre ao lado. Até hoje tenho dezenas de cadernos com anotações por todos os lados.

E quando fui crescendo, sempre que meus amigos sentiam algo relacionado à dor, eu dizia “toma chá disso” e ninguém, nem eu sabia de onde vinha aquela memória, mas certamente algo ficou daqueles saberes todos.

– De que maneira você, já na fase adulta, passou a olhar com mais carinho para estes saberes que depois se tornaram sua profissão?

Por volta dos 24 anos tive um problema de saúde que me fez voltar pro interior de São Paulo e me reconectar comigo mesma. Tive uma anemia profunda e foi aí que houve um olhar de volta para as plantas, as medicinas e curas que tinham permeado a minha existência desde a infância e agora me chamava ali, de novo, bem fundo no peito.

Foi um processo grande de reconexão e cura, até que eu encontrei na internet um encontro de plantas medicinais numa aldeia indígena que me chamou muito a atenção. Fiquei com aquilo em mim e sabia que era pra eu estar lá mesmo sem entender.

Depois de um tempo doente a gente percebe o quanto é mais importante ser você mesma do que pertencer, ainda mais a uma sociedade que adoece mais a cada dia. Desde então um trabalho imenso de autoconhecimento começou e evolui diariamente.

– A vivência na aldeia te transformou? Estar próxima dos povos originários te ajudou a encontrar sua verdadeira vocação?

Entre muitas transformações que essa visita me trouxe, está a desconstrução, o reencontro de cura e um trabalho de autoconhecimento e entendimento da minha alma que eu levo até hoje.

Os povos originários têm neles a pureza da natureza, a honra ao ciclos, ao tempo. Estar com eles me lembrou muito do caminho de volta aos desejos da alma. O que a sua alma deseja?

Me lembrei da Estefânia que sai de casa só pra ouvir sobre as ervas, que já sabia do poder curativo da natureza e que sempre tinha tido dentro de si um sopro mágico que tinha sempre negado.

Foi um amor imenso, ao mesmo tempo em que eu sabia que a minha vida tinha tomado outro rumo ali.

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As parteiras 🌱

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– Alquimia tem a ver com intuição e força interior? Como você a define?

A alquimia é a arte de curar todos os males, é passar por todos lugares, luz e sombra. É algo que te permite compreender o ser por inteiro para ver além. Requer muito estudo e comprometimento, consigo e com o outro.

Meu caminho sempre incluiu olhar para as minhas sombras, encará-las, integrá-las. Mas porque assim eu consigo colocar meu trabalho de cura no mundo.

A intuição é parte de tudo isso, é ouvir aquela voz que fala dentro sem desconfiança, muitas vezes segui-la com medo mesmo.
Isso é o que leva a entrega para alquimia natural. Sem intuição e entrega é apenas a ciência comprovada em laboratório que atua em um corpo só e não na complexidade do ser como um todo.

– Como você enxerga o desenvolvimento da “bruxaria moderna” que vem acontecendo atualmente e o que nós, em especial as mulheres, podemos aprender com ela?

O despertar da bruxaria moderna é uma benção. O planeta Terra (Gaia) está em ascensão e isso culmina nesse chamado coletivo do olhar para os ciclos, para a natureza.

A energia yang (masculina) dominou por muito tempo e agora é o chamado da energia feminina, yin, cíclica, para que haja equilíbrio. É o que permeia as mulheres mas que também está presente dentro dos homens e todos os seres.

 

– Como começou o desenvolvimento dos seus produtos na Ervaria das Luas?

Os meus produtos são sempre criados de forma muito espontânea. Acabo criando algo de acordo com a minha necessidade que depois pode virar ou não um produto para o público. Os sprays, por exemplo, eram aromas que eu criava pra mim e as pessoas também queriam.

Algumas receitas eu recebo em sonhos, ou num fluxo intuitivo muito forte onde elas vêm prontas e quando eu pesquiso as propriedades era exatamente aquilo que eu precisava.

Agora no final de ano, porém, serão todos repensados. Renovar sempre é muito importante pra mim.

– A pessoa precisa seguir certas regras ou indicações na hora de utilizá-los? O que você indica?

Eu prezo muito pela intuição, é um músculo que precisa ser exercitado. Com os produtos é a mesma coisa, eu uso todos no meu dia a dia, mas me pergunto: o que mais vai me ajudar hoje? E pronto, algo vem.

É importante lembrar de sempre respirar profundamente o aroma para mandar as informações químicas dos óleos essenciais ao cérebro e deixar a aromaterapia atuar sua magia. Esse é, também, um exercício de pausa, de dedicar esse tempinho para você.

Sempre indico o modo de usar e massagens terapêuticas. Os roll-ons podem ser utilizados como perfume. Os produtos são inofensivos, mas vale mencionar que óleos ligados aos ciclos femininos têm contraindicação para mulheres grávidas e lactantes.

Rituais para começar o próximo ano longe da zica!

por Estefânia Verreschi

 

O ano que vem será um ano regido pelo Sol, então olhar para a nossa essência será muito importante. Cada dia mais a gente precisa entrar em contato com a nossa verdade, encontrar o nosso potencial mais elevado pra então compartilhar e mudar o mundo. A Era de Aquário está aí e não tem muito pra onde fugir.

Com tudo isso acontecendo, acho sempre muito importante fazer as limpezas de fim ano, tirar tudo com o que você não se conecta mais, doar roupas, limpar as gavetas, a casa, as bagunças e abrir espaço pro novo chegar, literalmente. O que ocupa espaço no campo físico também ocupa espaço no corpo emocional e espiritual.

A virada de ano de 2019/2020 vai acontecer na transição de uma lua nova para uma lua crescente e esse período sugere um momento plantar as sementes, sonhos, projetos e colocar energia nisso.

Faça uma lista com os velhos padrões que você quer deixar ir e queime ou descarte em água corrente (não, não no rio ou mar). Desconecte-se daquilo de uma vez por todas. Depois, crie uma nova lista com os seus projetos, agradecendo por já serem uma realidade na vida de vocês e peça que tudo se manifeste para o bem maior.

E, claro, um banho é sempre bem vindo nessa época do ano e mais do que a limpeza temos que pensar em ervas e flores de magnetização. O alecrim traz energia, força, prosperidade; a arruda tem a função de limpeza energética de negatividade e repetição; o anis estrelado traz abundância.

O louro, a alfazema, a camomila, rosas e abre-caminho também são coringas das festas de fim de ano, trazendo equilíbrio e um novo sopro pra tudo que chega.

 

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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