Viagem

Aspirantes a influencers confundem lixão tóxico com lago paradisíaco

por: Vitor Paiva

A busca pelo sucesso é capaz de levar um “instagramer” ou um “influencer” a cometer loucuras – contanto que o resultado seja uma bela foto cravejada de likes no Instagram. Quando um lago de água azul-turquesa cristalina feito fosse o mar do Caribe foi descoberto e começou a aparecer nas redes, rapidamente turistas e curiosos correram para o local já devidamente trajados em banho, sem se perguntarem a razão pela qual um lago com essas características existiria em Novosibirsk, cidade situada na região central da Sibéria, na Rússia.

O sucesso no Instagram encobria uma história perigosa e, ao mesmo tempo, simbólica, como uma metáfora sobre a atualidade: o lago não era um lago, mas sim uma barragem onde dejetos tóxicos de uma central termoelétrica são lançados.

A coloração azul-turquesa se dá por uma reação química a partir dos dejetos como cinzas de carvão queimado são despejados da central, que abastece todos os 1,6 milhão de habitantes de Novosibirsk, terceira maior cidade russa. O local, portanto, é um verdadeiro lixão líquido de óxidos metálicos, que evidentemente não faz bem para a pele de quem entra em contato.

O real cenário do lago siberiano

As chaminés da central termoelétrica são visíveis, e visitantes contam que as águas desse pequeno Caribe siberiano de fato cheiram a “detergente de lavanderia” – mas nada disso impediu milhares de pessoas visitem o local para fotos e mesmo festas, com direito a cerveja e churrasco, feito fosse de fato uma praia paradisíaca.

A Siberian Generating Company, empresa de geração de energia responsável pela central, nega qualquer risco de radiação, mas alerta que o contato com a água pode sim provocar alergias e outras reações cutâneas – assim como que um eventual nadador corre o risco de se atolar no fundo pantanoso do “lago”.

Como nem mesmo a confirmação de que as águas eram tóxicas impediu que a caça por likes levassem os usuários do Instagram até lá, a administração da empresa decidiu por fechar as estradas que davam acesso ao local. A nota a respeito do ocorrido não poderia ser mais clara: “Isso não é uma praia”, diz. Na internet, porém, muito mais importante do que ser é parecer.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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