Arte

‘Com a maternidade eu tive coragem de me expor’, diz Taís Araujo

por: Rafael Oliver

Atriz consagrada, apresentadora, primeira protagonista negra em uma novela do horário nobre da TV Globo. Não foi à toa que Thais conseguiu um dos postos mais altos da dramaturgia brasileira: interpretou personagens de sucesso, como Xica da Silva, a “empreguete” Penha, além de dar vida a uma das “Helenas” de Manoel Carlos. Como apresentadora, esteve à frente de quatro temporadas do Superbonita, do GNT. Depois, apresentou o Saia Justa. Na TV aberta, faz sucesso com Popstar, reality show musical da Rede Globo. Seu carisma conquistou o público. Prova disso é que foi eleita uma das figuras femininas mais notáveis pelos brasileiros, em pesquisa realizada pelo Instituto Qualibest.

Além disso, Taís e Lázaro Ramos, seu marido, são considerados um dos principais casais do show business. Com o ator, Taís tem dois filhos: João Vicente, de sete anos, e Maria Antônia, de quatro anos. Segundo ela, a maternidade mudou sua forma de pensar. Trouxe maturidade para expor seus pensamentos, discutir questões raciais. Inclusive, por conta disso, hoje Tais é uma das principais vozes da representatividade negra do país. Para falar sobre assunto e contar um pouco mais sobre seu trabalho na nova novela das nove, batemos um papo com a atriz na coletiva de imprensa do próximo folhetim global.

Você interpreta Vitória, uma mãe que se vê dividida entre a maternidade e o trabalho. Eu quero saber se João Vicente e Maria Antônia (seus filhos) influenciam nesse trabalho, se você está levando alguma coisa deles para novela?

Eu estou levando muita coisa deles para novela. Muita coisa! O Pedro, que faz o Thiago, é um ano mais velho que meu filho. Então não tem como, eu olho para ele e vejo o João. Muitas vezes fico tentando separar (realidade da ficção), mas às vezes também a gente faz uso (da experiência pessoas) e eu falo: ‘gente esse é o material que tenho para trabalhar, vamos embora’.

Para você, que vive esse papel, essa realidade e pode falar com mais propriedade. As mulheres tem essa dificuldade, é um problema muito grande para as mulheres do Brasil conciliar trabalho com filhos?

Eu acho difícil. Porque cada vez a gente trabalha mais e cada vez a gente tem menos tempo para ficar em nossa casa, convivemos muito mais com nossos colegas de trabalho do que com nossas famílias. A mulher que trabalha fora, optou em trabalhar fora… Então é um problema (conciliar trabalho e maternidade). Educar é estar junto, é ficar em alerta e acompanhar. Claro que a gente perde momentos, acho que a gente tem que ficar muito em alerta para que não sejam momentos irreversíveis, sabe? Essa é a grande questão, porque você trabalha para dar uma vida melhor para sua família. Então de alguma maneira você trabalha por eles. Mas chega um momento que a coisa tem que ser equalizada… Não pode trabalhar a ponto de perder a educação dos filhos.

Em alguns depoimentos seus, você disse que foi educada para nunca questionar questões raciais. Porém hoje, você é uma das principais vozes da representatividade negra do país. Quando rolou essa mudança? A partir de quando você pensou em ir para cima, em questionar? 

Olha, eu acho que eu recebi um chamado muito grande com o nascimento dos meus filhos, sem dúvida. Outro dia eu estava pensando sobre isso, eu fui pegar umas entrevistas minhas antigas. Tinha uma minha da época de Chica da Silva, na Revista Raça Brasil onde eu já falava sobre o assunto. Então, não era um assunto absolutamente distante de mim também… Eu acho que é maturidade. Talvez com a maternidade eu tenha tido coragem de expor, porque até então, eu acho que fui organizando meus pensamentos, estudando e entendendo…. Eu acho que isso não é um problema só meu. Acho que o Brasil, na verdade, ganhou uma consciência muito grande sobre as questões raciais. Assuntos que a gente não falava como: ‘brancos e não brancos, negros e não negros’. Que a gente fala hoje e que a gente tem consciência… A gente olha e fala: “Gente, como isso estava na minha cara e não percebia?” ou ‘Por que isso não é um incômodo para mim?’. Então, acho que são momentos, um crescimento mesmo. Quando comecei a trabalhar, eu era muito jovem… Minha primeira novela que fiz eu tinha 16 anos, hoje eu sou uma mulher de 41. Então temos aí uns bons anos de maturidade, de crescimento.

Você e Lázaro foram considerados o casal destaque do ‘showbiz’. Isso condiz com a quantidade de convites que vocês recebem para propaganda publicitária?

Não sei te responder isso. Porque não sei como as outras pessoas funcionam, entendeu? Tem muitos valores que estão à frente disso, sabe… Tanto para mim quanto para o Lázaro. Então acho que essa pergunta tem que ser feita para agências de publicidades, não pra mim.

Você foi nomeada pela ONU como defensora dos Direitos das Mulheres Negras. Como tem sido realizar esse trabalho? 

Esse trabalho é lindo… É profundamente importante, eu tenho desejo de fazer ele mais em campo, sabe? De ir mais para rua mesmo e ir até as mulheres. Isso tem acontecido muito pouco. Até pelo excesso de trabalho que eu tenho… E a ONU tem uma agenda bem determinada, super organizada. E muitas vezes a minha agenda não dá para conciliar. Eu tenho feito menos do que eu gostaria de fazer. 

Você é uma atriz muito bem sucedida, já fez papéis  incríveis. Você já foi, inclusive, Helena de Manoel Carlos. O que mais você espera para sua carreira?

Muita coisa! Eu quero trabalhar até eu não conseguir mais trabalhar… E como o mundo da dramaturgia é gigantesco, não tem limites, eu acho que a vida de um ator também não tem limites… E como eu sou muito alimentada pelo trabalho mesmo, ele é um combustível pra mim e muito potente, eu tenho muita coisa ainda para fazer ainda, tanto no audiovisual, como no teatro. Tenho dois planos de peças que quero fazer… Tem muitos projetos que pretendo realizar, muita coisa aí…

 

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Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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