Diversidade

Com eleição de jamaicana ao Miss Mundo, beleza negra atinge representatividade histórica

Karol Gomes - 19/12/2019


Os concursos de beleza de 2019 ainda não acabaram e, pelo jeito, ainda farão parte da nossa sociedade por alguns anos. Mas, enquanto essas competições insistem em manter padrões de beleza para mulheres, suas competidoras estão mudando o que foi repetido por anos e a beleza negra tem ganhado o reconhecimento merecido

Com o resultado do Miss Mundo 2019, anunciado na noite de sábado (14), pela primeira vez, os 5 principais concursos de beleza dos EUA e do mundo têm representantes negras como misses simultaneamente: Miss USA, Miss Teen USA, Miss América, a recentemente anunciada Miss Universo. E, agora, a jamaicana Toni-Ann Singh, de 23 anos, reforça a lista.

Da esquerda para a direita: a Miss Universo, Zozibini Tunzi, a Miss Mundo, Toni-Ann Singh, a Miss Teen USA, Kaliegh Garris, a Miss América, Nia Franklin, e a Miss USA, Cheslie Kryst.

– Primeira Miss a desfilar com trajes muçulmanos é a nova promessa do mundo da moda

Em segundo e terceiro lugar, estão as representantes de França e Índia. Toni-Ann foi coroada pela sua antecessora, Vanessa Ponce de Leon, do México. Por pouco, a brasileira Elís Miele Coelho não subiu ao pódio. A capixaba que venceu este ano o Miss Brasil Mundo, ficou no top 5 e ainda levou o título das Américas.


Toni-Ann também quebra estereótipos sobre a mentalidade de mulheres que participam dessas competições – muitas vezes colocadas como ingênuas e não muito inteligentes. A jamaicana é formada em psicologia e estudos sobre gênero na Universidade Estadual da Flórida.

Representatividade negra

“Para aquela pequena menina em St. Thomas, Jamaica, e para todas as meninas ao redor do mundo, por favor, acredite em você mesma. Por favor, saiba que você é merecedora e capaz de alcançar seus sonhos. Esta coroa não é minha, mas sua. Você tem um propósito”, escreveu a Miss Mundo em suas redes sociais. Ela planeja seguir os estudos na área de medicina.

A mensagem de Toni-Ann é importante para mostrar há muitas meninas negras, muitas vezes rejeitadas na escola, no mercado de trabalho e até na família, que elas são bonitas sim!

– Cantora desabafa contra Silvio Santos em nova acusação de racismo

Mas vale lembrar que este tipo de concurso ainda não conseguiu quebrar barreiras de padrões com relação a corpo. Todas as competidoras são muito magras, não é mesmo? Esperamos que isso mude logo!

Publicidade

Fotos: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.