Tecnologia

Esta camiseta usa o calor do corpo para gerar energia

por: Yuri Ferreira

Já imaginou a possibilidade de carregar o seu celular com sua camiseta após fazer exercícios físicos? Parece meio absurdo, né? Entretanto, pesquisas da Universidade de Málaga, na Espanha, estão dando os primeiros passos para que consigamos gerar pequenas quantidades de energia elétrica através de tecidos tecnológicos e sustentáveis.

As pesquisas da UMA em parceria com o Instituto de Tecnologia de Gênova conseguiram elaborar uma substância a partir da combinação com cascas de tomate, etanol, água e grafeno – sim, as nanopartículas de carbono -, que, ao aquecida, penetra os fios de algodão.

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“Quando alguém caminha ou corre, esquenta. Se essa pessoa usasse uma camiseta projetada com essas características, a diferença entre seu corpo e a temperatura mais baixa do ambiente poderia gerar eletricidade” afirmou Susana Guzmán ao Intelligente Living. A pesquisadora faz parte do Departamento de Biologia Molecular e Bioquímica da Universidade Málaga.

Através da diferença de calor entre o ambiente e o corpo, o “e-textile” é capaz de produzir energia elétrica. Até agora, o produto foi capaz de acender uma lâmpada LED. A tecnologia não é nova: tecidos que produzem energia elétrica já foram feitos com metais, mas essa é a primeira vez que a captação de energia elétrica foi feita através de uma substância 100% orgânica.

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“Em um estudo anterior, pudemos criar uma antena Wi-Fi a partir de casca de tomate e grafeno. Também estamos estudando a possibilidade de incorporar essa invenção à camiseta ‘e-textile’, o que nos permitiria ser como o super-herói Homem de Ferro, que veste um terno com todos os tipos de dispositivos tecnológicos e até voa”, brincou Susana

A utilidade dessa pesquisa também vai bem além da possível roupa de Homem de Ferro. Existem outros usos que podem ser dadas à substância de casca de tomate e grafeno. Através do monitoramento de calor e transmissão de energia, o composto pode ser uma alternativa mais ecológica para compostos da biomedicina e também da robótica.

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“Outras aplicações possíveis incluem biomedicina, graças ao monitoramento de sinais de cada usuário, ou robótica, porque o uso desses materiais mais leves e flexíveis permite a melhoria dos recursos do robô”, afirmou a UMA em um comunicado à imprensa.

 

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Fotos: Divulgação/UMA


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @yurifen.

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