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Funmilayo Afrobeat: a banda só de mulheres negras que vai virar o jogo

por: Kauê Vieira


Pouco ritmos musicais traduzem a cultura de um povo como o afrobeat representa a Nigéria. O estilo consagrado por Fela Kuti foi fundamental para a luta contra a ditadura sanguinária que tomou conta do país africano na década de 1970 e mudou os rumos da música produzida na faixa ocidental do continente. 

Porém, nem mesmo um cara com a genialidade de Fela Kuti conseguiu se livrar do machismo. Na verdade, a prática sistêmica de excluir mulheres ou não reconhecer sua contribuição fundamental para o sucesso do afrobeat se arrastou por décadas. 

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Funmilayo Afrobeat Orquestra

São muitos os efeitos, como o apagamento histórico da biografia de Funmilayo Kuti. Esta professora e ativista dos direitos da mulheres nascida em Abeokuta, como o sobrenome já diz, é mãe de Fela. Mais do que isso, ‘Mãe África’, apelido dado pela luta feminista na Nigéria, é indispensável para o sucesso do afrobeat. 

“Quando pensamos em afrobeat, logo nos vem à cabeça a obra de Fela Kuti, músico nigeriano conhecido por suas duras críticas aos governos africanos no período pós independências. A Nigéria, como outros países, passou por diversos governos civis e militares autoritários e corruptos e muitos artistas, sendo Fela Kuti o mais conhecido deles, se posicionaram diante deste cenário. Antes de Fela, Funmilayo Kuti já estava lutando pelos direitos das mulheres e pela independência nigeriana, servindo como uma das principais referências políticas para o filho”.

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A fala acima é de um grupo que chega na esteira de um tempo de revisões históricas puxadas por quem não aguenta mais ser coadjuvante da própria trajetória. A banda surge em São Paulo como o primeiro conjunto de afrobeat formado apenas por mulheres. Com nome inspirado na luta feminista de uma mulher negra nigeriana, a Funmilayo Afrobeat Orquestra já faz sucesso com o lançamento do primeiro single, ‘Negração’, gravado em parceria com o Spotify. 

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7 dias para o lançamento de #NegrAção e hoje continuamos a apresentar a base da Funmilayo Afrobeat Orquestra. ___ Bruna é baixista da Funmilayo e a primeira mulher negra formada em contrabaixo na UNICAMP. Para ela, participar da banda está sendo uma experiência nova, enriquecedora e desafiadora, visto que no Afrobeat o baixo se mantém fazendo sempre a mesma linha em músicas que duram mais de 10 minutos e não se pode perder a concentração, a entrega e o swing. “A experiência de tocar esse gênero é um desafio que só me fez crescer a aprender, é pensar muito além da base, é pensar melodia, improviso, vozes e se inteirar de fato disso”, conta Bruna. ___ A experiência da Funmilayo na Casa Escuta as Minas foi única para Bruna, que se sentiu acolhida pelas mulheres da casa. Além de serem excelentes profissionais, elas foram especialmente incríveis e sensíveis com a baixista, que faz um agradecimento especial à Sue por estimular o pensamento musical crítico em Bruna, ao fazê-la refletir sobre os melhores caminhos e possibilidades. ___ NegrAção é construção, apoio e aprendizado. 20 de novembro em todas as plataformas digitais.

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“Esse fato [de ser uma banda formada apenas por mulheres] é extremamente significativo. A constatação soa absurda se considerarmos que o afrobeat se consolidou na década de 1970 e que existem diversas musicistas talentosíssimas que conhecem e apreciam esse estilo musical”, dizem as integrantes do grupo em conversa com o Hypeness.  

As coisas aconteceram rápido desde o encontro destas 11 mulheres negras com histórias distintas, mas determinadas em se apossar da arte como instrumento de mudança social, sobretudo na luta antirracista e contra o machismo

Desconhecíamos uma banda de afrobeat totalmente feminina até a formação da Funmilayo Afrobeat Orquestra – o que não quer dizer que não exista, ou não tenha existido, mas que não chegou ao conhecimento de todes. Queremos mostrar, com essa formação, que é possível trabalhar entre mulheres, que conseguimos criar redes de apoio e construir coisas juntas, compor, fazer arranjos, produzir, cantar, tocar numa lógica de trabalho que respeite nossas demandas, nossos processos e limitações. Isso é fundamental: encontrar uma lógica feminina de trabalho. Isso é muito novo pra todas nós, mas tem sido incrível. 

‘Vai ecoar: Marielle Presente’

A formação da banda se deu a partir do encontro entre a cantora e saxofonista Stela Nesrine e da trompetista Larissa Oliveira, ambas incomodadas com a ausência de espaço para mulheres no universo do afrobeat. 

“Queremos forçar nossa entrada em espaços que até então eram entendidos como prioritariamente masculinos. Às mulheres, principalmente no Afrobeat, sempre foi reservado o espaço de backing vocals e dançarinas, somente. Nós queremos mais, porque podemos fazer mais”, afirmam as integrantes da Funmilayo. 

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A coisa ganhou corpo e forma e outras artistas se uniram ao grupo. O movimento de formação da Funmilayo Afrobeat reafirma o espírito de coletividade tão presente no alicerce de sociedades e nos provérbios que equilibram a cultura de diferentes países de África. 

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2 dias para o lançamento de #NegrAção e hoje apresentamos nossas percussionistas. ___ AfroJu é percussionista e diz que estar na funmilayo permite aprender e compartilhar individualidades e profissionalismo, debater e rebater questões enquanto mulher nesta sociedade e discutir onde e como essas questões interferem e somam no nosso coletivo. Estar com a Funmilayo, acima dessas questões, é autofortalecimento e resistência. ___ Ter a certeza dessa banda enquanto coletiva preta se deu também pela experiência na Casa Escuta as minas da Spotify, onde Afroju pôde conhecer melhor cada profissional com que trabalha e juntas desenvolver e realizar um estilo como o Afrobeat, até então majoritariamente masculino. “Através da Funmilayo pude então conhecer melhor esse ritmo, seu toque e instrumentação e com ele me desenvolver e acrescentar”, conta AfroJu. ___ NegrAção. 20 de novembro em todas as plataformas digitais. ___ Foto: @josedeholanda_

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4 dias para o lançamento de #NegrAção! ___ Rosa Couto é pesquisadora autora do livro Fela Kuti: contracultura e (con) tradição na música popular africana. É cantora e compositora na Funmilayo e conta que a banda é uma oportunidade de viver uma experiência coletiva com base no feminino e na arte. ___ Rosa costuma dizer que essa banda é uma semente de esperança nesse mundo cada dia mais individualista. Além disso, é uma oportunidade de aprofundar seus estudos sobre música popular negra e de desenvolver o lado artístico. ___ “Pra mim a arte é uma maneira de assimilar o mundo, e poder vivenciar isso numa banda repleta de mulheres com as quais me identifico é um privilégio imenso”, conta Rosa. ___ A experiência na casa escuta as minas foi muito nova para Rosa e a fez refletir sobre muitas coisas acerca do processo de produção, das relações raciais na música e etc. Para ela foi um aprendizado muito grande e aproveita para agradecer todas as envolvidas. ___ O resultado desse processo é NegrAção. 20 de novembro em todas as plataformas digitais. ___ @josedeholanda_

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A pluralidade das realidades destas mulheres negras potencializa ainda mais a sonoridade do conjunto, como elas mesmas reconhecem. 

“A vivência se traduz de diversas formas, tanto nas letras das músicas autorais que estamos compondo, como ‘Negração’ que, entre outras coisas, fala do incômodo de ser mulher negra no Brasil e não se ver representada, ou ‘Vazante de Verão’ que fala do prazer feminino como a delicadeza e violência das águas de um rio”, pontuam. 

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A formação conta ainda com Sthe Araújo e AfroJu, que dividem a percussão. Ana Goes no sax tenor, Suka Figueiredo no sax barítono, Priscila Hilário na bateria, Bruna duarte no baixo, Jasper na guitarra, Rosa Couto nos vocais e bloco sonoro e Tamiris Silveira nos teclados. 

Somos uma banda diversa, uma é mãe, a outra está na faculdade, a outra faz pesquisa e a outra está desvendando um instrumento novo, uma outra se arriscando a cantar, uma vem da música erudita, outra tem vivência na cultura popular e etc, tudo isso é partilhado, atravessa o som, tudo isso é material poético, sonoro e cada uma coloca um pouco de tempero no resultado final. No mais, não queremos reproduzir dentro da banda a lógica de opressão que vivemos fora, numa sociedade que  nos exclui dos espaços de poder e decisão, que nos hiperssexualiza e isola. Temos nos esforçado em ter uma postura de acolhimento e de liberdade para a criação.  

A escolha de reverenciar a memória de Marielle Franco – assassinada a tiros no centro do Rio de Janeiro em um crime impune há mais de um ano – não é à toa. Aliás, a lembrança de que Marielle está, sim, presente, é reflexo de como este grupo de mulheres negras enxerga a arte e as similaridades nos caminhos percorridos pela quinta vereadora mais votada do Rio e Funmilayo Kuti. 

Sandra Iszadore e Fela Kuti

“Marielle Franco e Funmilayo Kuti foram duas mulheres fortes e ativas politicamente e que foram interrompidas violentamente. As duas são homenageadas por nós, a primeira citamos no single ‘Negração’, e da segunda pegamos de empréstimo o nome para a banda pois acreditamos que as lutas que cada uma delas travou estão totalmente conectadas. As duas lidaram com estruturas coloniais, racistas e machistas. Essas estruturas permanecem ainda intactas, exercendo pressão sobre nossos corpos. É da fonte de força e inspiração que elas beberam que nós também queremos beber, ou seja, da cultura africana e afro-brasileira, da solidariedade feminina e da luta por mais igualdade social”, destacam. 

A presença de mulheres em espaços de destaque que proporciona esse tipo de reflexão. Historicamente, artistas do sexo feminino tiveram atuação limitada no afrobeat. A maioria das mulheres atuava como backing vocal. Ou seja, dando suporte ao homem no palco. Mas não se engane, as mulheres negras são o alicerce para a existência e sucesso do ritmo até os dias de hoje. Nessa linha, as membras da Funmilayo Afrobeat criticam os obstáculos enfrentados pelas mulheres no mercado fonográfico e artístico como um todo. A praga da discriminação racial torna o desafio ainda maior para quem nasce com a pele preta. 

As mulheres no geral e, especificamente, as mulheres negras, sempre encontraram dificuldades de inserção e permanência no mercado de trabalho. Na música esse fato se confirma, ainda mais se considerarmos atividades como compositoras, arranjadoras ou instrumentistas, onde a hiperssexualização dessa figura feminina é mais difícil, se compararmos com o papel de intérpretes, backing vocals ou dançarinas, onde a imagem e o corpo estão mais expostos, ficando mais fácil o processo de objetificação. Sem a existência das mulheres o Afrobeat não teria o força que alcançou, afinal  de contas, Sandra Iszadore e Funmilayo Kuti fizeram o letramento político e racial de Fela Kuti. As dançarinas e backing vocals, como Naijite e Alake, vivenciaram no corpo as violentas consequências por terem escolhido a vida artística e por assumirem a posição política que assumiram. Além dessas, existiram muitas outras e mal sabemos seus nomes. Isso nos entristece profundamente.  

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12 dias para o lançamento de #NegrAção! Durante essas semanas vamos contar pra vocês um pouco de cada integrante da Funmilayo Afrobeat. ___ Stela Nesrine é saxofonista, cantora e uma das idealizadoras da Funmilayo Afrobeat. Em 2014 intensificou seu contato e amor com o gênero atráves da banda chilena Newen Afrobeat que, em sua primeira turnê pelo Brasil, hospedou-se durante um mês no coletivo onde Stela morava, possibilitando-a trocar experiências, assistir ensaios e se apaixonar pelo gênero. ___ Stela conheceu Larissa Oliveira (trompetista) em 2015, que partilhava o amor pelo Afrobeat e juntas idealizaram uma banda formada apenas por mulheres negras. O projeto era desafiador devido ao grande número de integrantes nas formações desse gênero. ___ O projeto foi tomando corpo no final de 2018 e Stela começou a compor NegrAção em março de 2019. Ansiosos para ouvir o nosso single? Fiquem ligados! #escutaasminas ___ Foto: @josedeholanda_

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Por falar em Sandra Iszadore, a norte-americana é decisiva para o rompimento de fronteiras do afrobeat. A ‘rainha mãe’ do ritmo africano é ativista pelo direito dos negros e foi membra dos Panteras Negras – partido político que lutou pelos direitos civis dos afro-americanos. 

Sandra é a mentora política intelectual de Fela Kuti. Os dois se conheceram em 1969 e foi Iszadore a responsável por apresentar ao cantor os ensinamentos de Malcolm X e a música de Nina Simone. Sua importância é reconhecida no livro ‘Fela – Esta Vida Puta’ – escrito pelo cubano Carlos Moore. 

“Musicalmente falando, considerando o Afrobeat, isso se traduz numa proposta musical que quebre os paradigmas impostos pelo Ocidente colonizador e letras que sirvam de crítica e alerta às pessoas. Isso para nós funciona como um espelho, pois estamos vivendo um momento de grande instabilidade política no Brasil e uma crescente onda conservadora e autoritária que acentua o genocídio da população negra (jovens negros e negras são assassinados diariamente pelas mãos do Estado), a perseguição às lutas feministas, à população LGBTQI+ entre outras minorias ‘dissidentes’ da lógica que os governos atuais querem pregar como ideais: uma sociedade branca, cristã e heteronormativa. Acreditamos não ser possível ficar em silêncio num momento como esse, por isso também pegamos o microfone”.   

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9 dias para o lançamento de #NegrAção e hoje fecharemos o naipe de sopros. Ana Goes é saxofonista e compõe o naipe de sopros da Funmilayo Afrobeat Orquestra. Foi convidada por Larissa Oliveira para integrar a banda, porém sem saber ainda o nome do projeto. Certo dia recebeu uma mensagem de um grupo nomeado “Funmilayo” que, coincidentemente é um nome muito importante para Ana devido à sua religiosidade. “O fato de eu estar hoje em uma banda com o nome do meu Orixá, significa muito para mim. Significa caminhos abertos, identidade, ancestralidade e ligação direta com quem eu sou hoje e com a energia que meus Orixás trazem para mim.” ___ Ana descreve sua experiência na Funmilayo como algo maravilhoso e de muito aprendizado técnico, exploração e descoberta de seu instrumento, devido ao tipo de sonoridade objetivada pela banda. Além da parte técnica, a experiência de trabalhar ao lado de 11 mulheres com suas particularidades e singularidades é especial no sentido pessoal para Ana. ___ A experiência de gravar NegrAção na Casa Escuta as Minas foi de acolhimento e liberdade, o ambiente colaborou para que tudo fluísse melhor, especialmente com tantas mulheres nos apoiando e permitindo explorar a nossa música. O resultado da nossa experiência na Casa Escuta as Minas é NegrAção, disponível em todas as plataformas digitais em 20 de novembro. ___ Foto: @josedeholanda_

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A política também está presente no avanço tecnológico, que descentralizou o domínio das mãos de duas ou três gravadoras. Há, nos dias de hoje, mais liberdade artística. No entanto, ainda é complicado para um mulher negra (imagine um bonde) se sobressair sem cair nos estereótipos alimentados pelo racismo e machismo

Existe uma pressão externa que pode direcionar para nós um olhar objetificador e temos o desafio de nos preparar para responder a isso da melhor forma possível. Outro ponto é lidar com nossas demandas internas, que atravessam a vida das mulheres pretas no geral e, logicamente, as nossas. Essas demandas  vão desde inseguranças, a perrengues financeiros e sobrecarga de trabalho. É necessário entender que essa é a nossa realidade e é com ela que temos que lidar, é essa realidade que temos que transformar. Para que uma mudança, mesmo que mínima, aconteça, nós descobrimos que precisamos criar redes de escuta, de proteção, de apoio, para que possamos nos sentir mais seguras e capazes de encarar as pressões externas. Não dá pra reproduzir e continuar a viver em um ambiente masculino, agressivo e competitivo no qual jamais seremos suficientes, por sermos mulheres e negras. Então, o maior desafio é se equilibrar nessa corda banda que é viver em uma sociedade que espera que a gente caia. O desafio é não cair e não deixar que as outras caiam.      

Os tempos são outros e por mais que o fantasma da censura siga se valendo da falta de humanidade de mentes que insistem em manter o domínio baseado em práticas criminosas como o genocídio negro – que segue minando o futuro da juventude brasileira – a arte se consolida (ainda mais) como combustível para a mudança, que meu caro, é incontrolável. 

“Queremos deixar um convite à luta e à mudança, queremos reforçar que a associação entre pessoas pretas é uma coisa positiva e possível. Enfim, queremos deixar mais que uma letra de denúncia, mas também um sentimento de esperança que aqueça o coração de quem ouvir. Esperamos que toda essa entrega que temos vivido enquanto banda possa inspirar outras meninas e mulheres e que também inspire os homens, que eles possam entender que eles também têm um papel importante pra virar esse jogo de desigualdade de gênero e racial que percebemos no mercado musical. Esperamos que muitos ouçam!”    

Ouça o single ‘Negração’:

Serviço: 

Show Funmilayo Afrobeat Orquestra 

Onde: Sesc Santo Amaro | Rua Amador Bueno – 505 

Quando: Sábado, 7 de dezembro 

Horário: Às 17h 

Grátis 

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11 dias para o lançamento de #NegrAção! ___ Larissa Oliveira é trompetista e uma das idealizadoras da Funmilayo Afrobeat, junto com Stela Nesrine. Buscando representatividade e aproximação das raízes do Afrobeat, Larissa deu corpo à banda convidando as outras 9 integrantes que compõem a banda, algumas que já havia trabalhado junto e outras que conheceu posteriormente. ___ Uma questão forte para Larissa era o fato de que a maior parte das bandas do gênero são compostas por homens brancos, por isso a escolha das integrantes, mulheres e negras, foi parte essencial do processo de formação da Funmilayo Afrobeat. ___ NegrAção fala sobre representatividade e reconstrução de nossas raízes, muitas vezes negadas. 20 de novembro em todas as plataformas digitais. ___ Foto: @josedeholanda_

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6 dias para o lançamento de #NegrAção e hoje apresentamos a baterista da Funmilayo Afrobeat Orquestra, Priscila Hilário. ___ Priscila conta que se apaixonou pelo Afrobeat na primeira escuta, e sua paixão só cresceu com o tempo. Para ela, estar na banda é desafiador por conta da linguagem do gênero, que não é comumente estudada. ___ Para Pri, parte de uma banda tão grande quanto a Funmilayo nos faz dar espaço e buscar entender as nuances para todas serem ouvidas, musicalmente e emocionalmente. A experiência de tocar e compor Afrobeat é diferente de tocar outros gêneros e isso nos faz buscar além do nosso próprio instrumento. ___ NegrAção é o primeiro Afrobeat da Funmilayo e estará em todas as plataformas digitais em 20 de novembro. ___ Foto: @josedeholanda_

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8 dias para o lançamento de #NegrAção e hoje apresentamos a base da Funmilayo Afrobeat Orquestra. ___ Jasper é guitarrista da Funmilayo e foi convidada por Stela para integrar a banda. O convite de Stela foi muito importante para Jasper pois significou investimento e confiança, apesar das dificuldades que seriam encontradas no caminho. Jasper descreve sua experiência na Funmilayo como um grande aprendizado e, como a sua evolução (profissional e emocional) como indivíduo, pode contribuir para o coletivo. “A Funmilayo me ensinou a me enxergar como pessoa, confiar em mim, construir minha auto estima e também a somar no grupo”. ___ Nós somos um grande grupo de apoio, é muito importante estar com pessoas que você se identifica e poder compartilhar histórias, vivências e saber respeitar as limitações umas das outras. ___ A Funmilayo ressignificou muito para Jasper, como o que é tratar a música como profissão e paixão ao mesmo tempo e, especialmente o que é estar na posição de uma musicista negra, e como o mundo te receberá. NegrAção é identificação, luta e coletivo. 20 de novembro em todas as plataformas digitais. ___ Foto: @josedeholanda_

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1 dia para o lançamento de #NegrAção e hoje finalizamos a apresentação das integrantes da Funmilayo Afrobeat Orquestra. ___ Sthe Araújo é percussionista e conta que para ela, estar na Funmilayo é se descobrir. Carregar o nome de uma mulher que lutou contra o sistema opressor e que sofreu muita repressão representa toda a força da posição de uma mulher negra na sociedade. ___ “Me sinto liberta me expressando através do som, através do afrobeat. Tocar tambor é expressar tudo que carrego da minha vida e de meus ancestrais, e estar entre 10 mulheres que também expressam as suas realidades somam forças e nasce NegrAção”, diz Sthe. ___ NegrAção. Amanhã em todas as plataformas digitais. ___ Foto: @josedeholanda_

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5 dias para o lançamento de #NegrAção e hoje apresentamos a tecladista da Funmilayo Afrobeat Orquestra, Tamiris Silveira. ___ Tamiris Silveira foi a instrumentista mais recente a integrar a banda, convidada por Larissa Oliveira. Ela conta que, apesar de ter familiaridade com Orquestras, a Funmilayo está sendo uma experiência completamente nova, de entrega, troca e muita conexão. “Como o Afrobeat possui uma forma mais livre, temos que nos conectar muito enquanto banda para sentir os momentos da música, momentos de solo e improvisações. É como se cada instrumento tivesse uma essência, uma personalidade marcante”, conta Tamiris. ___ Além da conexão musical, acontece também a conexão pessoal e identificação na Funmilayo, isso torna todo o processo mais leve e empático. “Quando você se cerca de pessoas como você, que entendem suas aflições e lutam por um mesmo objetivo, tudo flui melhor, com mais leveza e amor”. Tamiris acredita que esse meio também contribui para as letras e composições da Funmilayo, que falam sobre as dores, lutas, anseios e conquistas comum às 11 mulheres da banda. ___ Os coros de NegrAção falam em especial sobre nossas aflições enquanto mulheres negras e gravá-los com todas foi emocionante, conta a tecladista. “Espero que esses cantos, letra e melodia sirvam como impulso para outras mulheres continuarem lutando e acreditando.” ___ NegrAção. 20 de novembro em todas as plataformas digitais. ___ Foto: @josedeholanda_

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Fotos: foto 1: José de Holanda/Divulgação/foto 2: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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