Diversidade

Homem trans recebe licença-paternidade inédita da prefeitura: ‘Sou pai’

por: Yuri Ferreira

Uma grande conquista para a comunidade trans aconteceu recentemente. Glauco Vieira, homem trans que trabalha na Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual do Rio de Janeiro recebeu uma licença paternidade após Marcela Santoro, enfermeira, dar a luz a sua primeira filha, Giovanna.

7 anos após assumir sua identidade e 4 anos de relacionamento com Marcela, Glauco recebeu um direito histórico, que nunca havia sido concedido pela prefeitura da segunda maior cidade do Brasil. Após o nascimento da pequena Giovanna, o funcionário público ficou 12 dias fora do trabalho para acompanhar o desenvolvimento de seu filho nos primeiros momentos de vida.

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Marcela e Glauco seguram a pequenina Giovanna

“É uma oportunidade. Sei que sou responsável por abrir portas para que outros homens trans possam ter esse direito e usá-lo. Esses primeiros dias são momentos importantes e complicados. Mas é muito bom para criar esse vínculo com o bebê, ela olhar que sou pai. É o sonho de uma vida inteira, e esses 20 dias são essenciais para isso. Se tivesse trabalhando, não seria a mesma coisa. Todos os pais merecem sim”, contou Glauco ao jornal EXTRA, do Rio de Janeiro.

A licença paternidade para homens trans que não engravidam é uma grande conquista para a comunidade que batalha contra o preconceito e contra a transfobia. A conquista de Glauco é importante tanto na esfera pública e também para que o exemplo seja seguido em empresas privadas.

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“Foi maravilhoso ser pai. Assisti ao parto, chorei e quase desmaiei (risos). É importante estar em casa ao lado da minha esposa para poder ajudar. A Marcela é mulher sensacional e estamos muito felizes. Eu sempre quis ser pai, espero ter outras oportunidades, como um time de basquete. Mas ela não é muito favorável (risos)”, relatou.

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O direito à licença-paternidade é muito importante para a conexão entre os pais e as crianças. Dessa maneira, você consegue criar um vínculo maior com o bebê durante a primeira infância. Cada vez mais famílias se unem pelo direito à uma licença-paternidade estendida. E, só pra lembrar, ela deve valer para todos os pais.

“Me sinto orgulhoso como homem trans por servir de exemplo para que mais homens trans possam fazer também uso desse direito”, contou Glauco ao EXTRA.

 

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Fotos: Divulgação


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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