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Mulher Maravilha e o empoderamento feminino das HQs para o cinema

por: Janaina Pereira

A apoteótica passagem da atriz Gal Gadot por São Paulo na CCXP tem um significado muito especial para as mulheres fãs de Histórias em Quadrinhos. Graças ao sucesso do primeiro – e tardio, diga-se de passagem – filme da Mulher Maravilha, surgiram novas produções privilegiando o universo feminino nas HQs, ambiente dominado por personagens (e público) masculino.

Foi-se o tempo em que apenas homens gostavam de HQs. Quer dizer, mulheres sempre curtiram esse tipo de leitura, mas nunca tinham espaço para falar sobre isso. Seja nas rodinhas entre amigos, ou mesmo entre outras mulheres, o mundo das HQs parecia ‘coisa de menino’. O sucesso da personagem Viúva Negra, vivida por Scarlett Johansson na franquia Vingadores, acendeu o alerta de que sim, mulheres gostavam de ver suas heroínas na telona.

Mesmo com a popularidade da Viúva Negra, a Marvel relutou em dar à personagem um filme solo – algo que só vai acontecer em 2020, e depois de já ter lançado a Capitã Marvel (com a vencedora do Oscar Brie Larson) no início deste ano. Mais rápida, a DC Comics colocou sua emblemática super-heroína nas telonas em 2017, em um filme que foi sucesso de público e de crítica – a personagem já tinha dado uma prévia de seu potencial em Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016).

O uniforme da Mulher Maravilha não só caiu bem em Gal Gadot como serviu para a atriz se posicionar sobre o papel da mulher no cinema e na sociedade. Ao seu lado, a diretora Patty Jenkins também se tornou uma figura importante neste sentido. As duas estiveram na CCXP para lançar o trailer de Mulher Maravilha 1984, que estreia em junho de 2020. Pelo alvoroço que causaram, a franquia tem potencial para bater recordes de bilheterias, e inaugurar um novo patamar nos filmes de heróis, aumentando ainda mais o protagonismo feminino.

“Vocês são a razão pela qual fazemos esse tipo de filme. Acho que a Mulher Maravilha não é só para meninas e mulheres, é para todos”, disse Gal na CCXP durante o painel ‘Mulher Maravilha 1984”, transmitido também pela internet para todo o mundo.

A atriz ressaltou a importância da personagem em sua carreira. “Esse é o maior filme que já fiz. Nós filmamos de verdade a maior parte disso. E não é fácil, precisei de ajuda com as cenas de ação, mas foi incrível”, comentou, acrescentando que a reluzente armadura que compõe seu figurino não é confortável, mas vale a pena usá-la.

No novo filme, a heroína vai enfrentar outra personagem feminina poderosa, a Mulher Leopardo, interpretada por Kristen Wiig. Gal Gadot contou que as duas se tornaram muito amigas durante as filmagens. “Temos uma banda, cantamos e dançamos”.

A amizade também é um elo forte entre a atriz e a diretora Patty Jenkins, que definiu muito bem quem é a Mulher Maravilha nos dias de hoje. “Ela é uma heroína do nosso tempo. Ela é durona, mas também gentil. Ela é a heroína do futuro”.

Arlequina em ação

Antes da passagem da Mulher Maravilha Gal Gadot pela CCXP, uma poderosa vilã da DC Comics também deu voz ao empoderamento feminino nas HQS e nas telonas. Personagem de maior sucesso no filme Esquadrão Suicida (2016), a Arlequina de Margot Robbie voltará em Aves de Rapina, previsto para estrear em fevereiro do ano que vem. No painel sobre o filme, Margot foi direta com o público masculino. “Feminismo não é só para as mulheres, é para os caras também”.

A identificação da atriz com a personagem é tanta que ela produziu o longa, e fez questão de focar na força feminina. “Queria ver mais grupos de meninas nas telas, especialmente em filmes de aventura”, revelou.

Segundo Margot Robbie, essa visão foi bem explorada pela diretora Cathy Yan. “Ela tinha uma perspectiva feminina, e deu certo”.

Pelo que foi visto na CCXP, ninguém segura elas: 2020 será o ano das personagens femininas das HQs nas telonas.

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Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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