Inspiração

Namorados presos juntos em Auschwitz se encontraram 72 anos depois

por: Yuri Ferreira

Eles se conheceram ao lado do cemitério de Auschwitz. Em meio ao Holocausto, os dois judeus encontraram um amor no centro do extermínio judaico e viveram um amor perdido. Depois de 72 anos separados, se encontraram brevemente em Nova York, em 2016.

David Wisnia e Helena Spitzer se conheceram em Auschwitz. Mesmo em alas separadas entre homens e mulheres, os dois costumavam escapar dos olhares dos guardas para se encontrarem no meio do inferno nazista. David trabalhava recolhendo corpos de judeus que se suicidaram, mas logo depois virou cantor para os guardas. Helena trabalhava com design gráfico no campo.

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Os registros de Helena sobre o Holocausto

No meio de um dos maiores crimes já cometidos na história da humanidade, eles planejavam uma vida após o fim da guerra, em paz. Helena foi uma das primeiras mulheres a irem pro campo, em 1942. Em 1943, eles se conheceram e foram um apoio um ao outro, a esperança de uma vida melhor em um tempo que parecia não ser o sinal de melhora alguma.

Em 1944, quando os rumos da Segunda Guerra começaram a mudar de lado, os diretores de Auschwitz iniciaram o processo de destruição do campo. Além de executarem todos os prisioneiros, eles tinham como ordem acabar com as evidências do crime humanitário cometido pelo nazismo.

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Helena foi uma das últimas a serem levadas em uma marcha de morte, mas conseguiu escapar e, após conseguir se misturar a população depois de alterar seu uniforme, escapou das mãos da SS. David foi enviado a outro canto e, durante uma marcha, acertou um soldado de Hitler com uma pá e escapou. Escondido num celeiro depois do incidente, ouviu soldados se aproximando. Acreditou que seriam soldados soviéticos. Eram soldados americanos.

David Wisnia hoje vive em Nova York

Helena e David combinaram de se reencontrar em Varsóvia após o fim da Guerra, mas os rumos da vida os levaram para caminhos diferentes. Ele passou a trabalhar pro Exército dos EUA e depois tomou seus rumos para a América do Norte. Ela se mudou para a zona americana da Alemanha ocupada no pós-guerra, se casou com outro homem e, em 1967, seguiu para Austin no Texas. Logo depois, virou bioengenheira na Universidade de Nova York.

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Wisnia foi para Nova York também, mas não reviu Helena por muito tempo. Ele continuou com seu hábito de cantar, como fazia no campo, sendo chazan (cantor) em uma sinagoga. Através de seu filho, que virou rabino, conseguiu entrar em contato com Helena.

Ambos se casaram após a guerra, mas se reencontraram em 2016. Ela estava em uma cama e não o reconheceu de primeiro. Depois, ele cantou uma música que ela havia o ensinado e parecia que havia ganhado um novo sopro de vida. 72 anos depois, o amor reviveu naquela casa em Nova York.

Uma foto do encontro dos dois em 2016

Helena morreria um ano depois, aos 100 anos.

 

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Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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