Arte

Pintura encontrada recentemente em caverna da Indonésia pode ser a mais antiga “história” contada do mundo

Vitor Paiva - 16/12/2019 às 18:50 | Atualizada em 16/12/2019 às 18:59

Contar histórias é uma das maneiras mais importantes que a humanidade encontrou não só para registrar sua memória como também para se definir e construir sua cultura – e é também um dos mais antigos hábitos que o ser humano desenvolveu para criar seus mitos, seus símbolos, suas narrativas. Recentemente um time de arqueólogos da Griffith University, na Austrália, encontrou nas cavernas de Celebes, na Indonésia, a mais antiga historia já encontrada em registro em nossa história – um grupo de desenhos com nada menos que 44 mil anos de idade. O segundo mais antigo desenho rupestre já descoberto é do final do período paleolítico, primeira era da Idade da Pedra, mas é o mais antigo a contar uma história.

Trata-se, portanto, da mais velha história que se tem registro contada pela humanidade. Como gostamos de nos espelhar nas histórias que contamos e ouvimos, o cenário que essa história paleolítica conta era provavelmente cotidiano: uma caçada atrás de mamíferos gigantes – um porco e um búfalo, utilizando cordas e lanças. E, pelo visto, desde sempre a imaginação corre solta, pois no desenho quem caça os animais são figuras chamadas teriantrópicas, ou metade humana, metade animal.

Os detalhes do desenho ressaltados digitalmente

Curiosamente, os animais caçados registrados no desenho foram identificados, e ainda existem na região: trata-se de um Sus Celebensis, porco típico da Indonésia, e um Búfalo anão. Outro aspecto importante da descoberta é a sugestão de religiosidade que há na presença das figuras teriantrópicas, como possivelmente a mais antiga prova da capacidade humana de imaginar o sobrenatural.

Arqueólogos nas cavernas da Indonésia

Personagens meio humanos meio animal são encontrados em praticamente todas as descrições modernas de deuses e espíritos, e o desenho descoberto na grande ilha de Celebes é o mais antigo registro do tipo já encontrado. Anteriormente, o mais antigo registro teriantrópico era o desenho de um ser metade homem metade leão com 40 mil anos, encontrado na Alemanha.

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© fotos: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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