Inovação

Por que a aprovação de absorventes nas escolas é boa notícia para o Rio

Karol Gomes - 17/12/2019 | Atualizada em - 16/01/2020

Quarenta e cinco dias a menos no ano letivo. Esta é a estimativa de faltas escolares para meninas que não têm condições financeiras de comprar absorventes higiênicos. Para evitar constrangimentos, elas faltam às aulas durante a menstruação, que pode durar até cinco dias.

Este problema tem nome: pobreza menstrual – ainda pouco debatido no país e que pode ser um empecilho não só para o conforto das jovens, mas também para a educação delas.

– Este caso mostra quão pouco os meninos (e os homens) sabem sobre menstruação

Para reverter esta situação, a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro aprovou, no último dia 3 de junho, a lei 6.603/2019, que prevê a distribuição gratuita de absorventes nas escolas da rede municipal. Segundo o autor da lei e presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara, o vereador Leonel Brizola Neto, a demanda partiu de pais e mães de alunas preocupados com suas filhas na primeira menstruação.

Para chegar a aprovação, a comissão fez visitas semanais e conversaram também com alunos, professores e trabalhadores.

O prefeito Marcelo Crivella ainda pode sancionar ou vetar a lei promulgada pela Câmara. Mas Brizola Neto não está preocupado com a questão, pois conta com o apoio de Talma Romero, a secretária municipal de Educação.

Algumas escolas da cidade já adotaram a prática de disponibilizar absorventes na secretaria, mas ainda não havia uma política pública tratando da questão. Com a mudança, o ambiente escolar estará preparado para oferecer a segurança necessária e evitar qualquer tipo de inconveniente.

– Após suicídio, precisamos falar sobre como a menstruação é tratada nas escolas

Outros tipos de proteção para a menstruação como o copo coletor, o absorvente reutilizável e as calcinhas absorventes já estão fazendo muito sucesso entre mulheres, especialmente pela característica da sustentabilidade. Mas estes custam mais caro e, muitas vezes, não alcançam meninas da rede pública ou que moram em periferias e lugares remotos.

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Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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