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Porque Adam Driver foi ‘o cara’ do cinema norte-americano nos últimos anos

por: Janaina Pereira

Adam Driver já era figurinha carimbada nos festivais internacionais de cinema quando se tornou mundialmente conhecido como o vilão Kylo Ren, da nova fase da saga Star Wars. O ano era 2015, e o ator vinha construindo uma sólida carreira entre filmes de arte e megaproduções. Ele estreou em J. Edgar (2011), de Clint Eastwood, foi dirigido por Steven Spielberg em Lincoln (2012), mas o sucesso veio mesmo com a série de TV Girls (2012). Em 2014, ganhou a Coppa Volpi de melhor ator no Festival de Veneza pelo filme Hungry Hearts, dirigido pelo italiano Saverio Costanzo, e entrou, definitivamente, no radar de Hollywood.

Com Star Wars, Driver se tornou um dos atores mais requisitados do cinema, mas nem o prestígio de fazer parte da famosa franquia mudou a forma de encarar sua carreira. O americano de 36 anos, 1,91 metros de altura e jeito meio desengonçado, continua intercalando blockbusters com filmes independentes e de arte, já conquistou uma indicação ao Oscar (este ano, na categoria ator coadjuvante por Infiltrado na Klan, de Spike Lee) e é o favorito à estatueta dourada em 2020 por seu papel em História de um Casamento (Marriage Story), de Noah Baumbach (do cultuado Frances Ha).

Sim, Adam Driver é o cara que pode ‘roubar’ o prêmio que era dado como certo para Joaquim Phoenix, por Coringa. No filme de Baumbach, o ator interpreta Charlie, famoso diretor de teatro que tenta manter um divórcio amigável com Nicole (Scarlett Johansson), mas as intervenções dos advogados e a decisão da ex-esposa de mudar de cidade – e levar o filho do casal junto – tornam a situação angustiante e absurdamente real.

Baseado no divórcio do próprio diretor com a atriz Jennifer Jason Leigh, História de um Casamento estreou com sucesso no Festival de Veneza, e é o principal filme da Netflix para o Oscar do ano que vem. O roteiro se desenvolve do ponto de vista de Charlie, dando a Adam Driver uma interpretação intensa e marcante.  Em entrevista durante o evento italiano, o ator comentou sobre isso. “O casal começa o filme em lados opostos. A Nicole, personagem da Scarlett, é uma atriz que conquistou uma nova oportunidade na carreira, e isso faz com que ela queira não só mudar de cidade, mas mudar  a si mesma e recuperar o que acha que perdeu. Já o meu personagem é um diretor de teatro que está tão acostumado a controlar tudo , que demora a entender que o amor se foi”.

Driver reconhece que Charlie é egoísta, mas ressalta que isso não torna o personagem uma pessoa má. “Ele é um homem que sempre foi o centro das atenções. Ele foi criado assim, no trabalho ele também é assim, a vida inteira ele agiu dessa forma meio manipuladora. Durante seu casamento, não foi diferente, porque ele sempre se posicionou como prioridade, negligenciando os desejos e sentimentos da esposa. Por isso ele não entende, de imediato, como ela quer dar um fim ao relacionamento”.

Gente como a Gente

O jeito tímido e reservado de Adam Driver, aliados ao seu talento e feeling para escolher bons papeis em filmes interessantes caíram nas graças dos votantes da Academia de Cinema de Hollywood. Diante do controverso filme (e personagem) Coringa, Joaquim Phoenix vem perdendo força na disputa pelo Oscar de melhor ator, enquanto Driver cresce como favorito. As indicações saem em janeiro.

História de um Casamento já estreou nos cinemas americanos e chega ao serviço de streaming no dia 6 de dezembro. Driver também estará em evidência nas próximas semanas com a estreia do último episódio de Star Wars: A Ascensão Skywalker, que estreia dia 19. O ator, que não gosta de se ver na telona, leva na brincadeira a fama conquistada depois do sucesso na saga intergaláctica. “Antes eu achava que os pais não me deixavam chegar perto dos seus filhos. Agora eles dizem: ‘Vai lá tirar uma foto com ele!'”, brinca.

Já para o diretor e roteirista Noah Baumbach, que trabalhou com Driver pela terceira vez – eles também fizeram juntos Francis Ha e Enquanto Somos Jovens – o ator tem fácil identificação com o público por ser um artista sem estrelismos. “Ele é um sujeito comum, e faz as cenas de uma maneira inesperada. Depois que a gente vê, pensa ‘era mesmo para ser assim’”.

Definitivamente, Adam Driver é o cara do momento em Hollywood.

 

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Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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