Debate

Psicóloga explica por que devemos deixar amigos sofrerem ao invés de simplesmente tentar animá-los

por: Vitor Paiva

Por que será que, quando tentamos ajudar ou animar alguém que esteja sofrendo, é raro que nossos esforços realmente cheguem a resultados transformadores? Essa pergunta é a base do trabalho da psicóloga estadunidense Megan Devine, que estuda justamente a experiência de sofrimentos intensos por perda, como mortes de crianças e bebês, crimes violentos, acidentes, suicídios ou desastres naturais. E sua resposta é surpreendente: mais eficaz do que tentar animar alguém em sofrimento ou contornar essa dor, a melhor ajuda é mesmo reconhecer e respeitar a dor da pessoa em questão, e principalmente deixa-la sofrer.

“Animar as pessoas, dizendo que elas devem ser fortes e perseverar, ajudar as pessoas a seguir em frente não funciona de fato”, diz a autora do livro Refuge in Grief, sobre o tema. Para ilustrar sua inesperada conclusão, Megan criou em seu canal no Youtube uma animação. Pode parecer contraintuitivo, mas o jeito de melhor ajudar as pessoas, segundo a psicóloga, é deixa-las sentir a dor do momento, conversando porém respeitando o momento de dor, sem tentar diminui-lo ou contorna-lo simplesmente. “Isso é verdade para perdas imensas e também para dores cotidianas”, diz.

A psicóloga Megan Devine

Uma citação presente na animação exemplifica a natureza do que a psicóloga afirma: “A alma humana não deseja ser aconselhada, consertada ou salva; ela simplesmente quer ser vista, exatamente como ela é”  diz o educador Parker Palmer. Ela própria enfrentou uma dor do tipo: seu companheiro morreu afogado em sua frente, em 2009. “Nos primeiros dias de meu luto, um diálogo real – uma ajuda real – era extremamente difícil de conseguir”, conta Megan.

“À época pouca gente falava do sofrimento sem trata-lo como uma patologia ou simplesmente um infortúnio que deveria ser resolvido para que se retornasse à sua vida normal e feliz”, conta.

Foi a busca por apoio verdadeiro e principalmente real compreensão – “com todos os becos sem saída, decisões tortas e desapontamentos”, ela diz – de sua dor que a levou a realizar o trabalho a que hoje Megan se dedica. A animação pode ser vista na íntegra, em inglês, abaixo.

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© foto: divulgação

© artes: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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