Tecnologia

Saiba como ‘cão robô’ é usado pela polícia dos Estados Unidos

por: Karol Gomes

Um robô de quatro patas, que caminha como um cachorro e é tão forte que é quase indestrutível. Ele pode abrir portas e até perseguir pessoas. Parece um episódio de ‘Black Mirror’, né? Bom, na verdade, existe um episódio de ‘Black Mirror’, quarta temporada, quinto episódio – caso você tenha ficado curioso. 

Mas a notícia é que este futuro já não está tão distante. A Polícia Estadual de Massachusetts (MSP na sigla em inglês), nos Estados Unidos, estava testando em segredo robôs conhecidos como Spot. Em segredo até que documentos obtidos por organizações de direitos civis de Massachusetts fossem vazados para a imprensa. 

Imagens dos “cãos robôs” vazadas pela MSP

– Ele imaginou o dia a dia de uma pessoa numa cidade do futuro – e é muito Black Mirror

O ‘cão robô é recarregável e sua bateria pode durar até 90 minutos. Ele pesa quase 2 quilos e atinge a velocidade máxima de 1,34 quilômetros por hora. Spot ainda não está sendo usado como armas, mas já foi usado em algumas ações policiais – que ainda não foram especificadas. Não se sabe se ele age por ordens humanas somente, ou se tem autonomia. 

O Spot nasceu no laboratório de robótica do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), que, recentemente, testou novos protótipos no campus da universidade.

Esta versão mais atualizada pesa 9 kg, podem dar cambalhota e correr a até 8 quilômetros por hora. Nove deles foram testados. No futuro, eles vão poder ser usados em situações de emergência. Mas agora, servem para pesquisas – e para divertir pesquisadores e alunos.

Inovação para quem? 

Se já existem “cães robôs” abrindo portas e capazes de perseguir pessoas, o que esperar da tecnologia nos próximos anos? Para a população negra, o medo de um outro desenvolvimento é eminente: o reconhecimento facial. E os primeiros problemas sociais estão aparecendo aqui no Brasil mesmo.

Um estudo inédito, realizado pela Rede de Observatório da Segurança – que conta com centros de estudo de violência da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Cândido Mendes (RJ), Universidade Federal do Ceará (UFC), Iniciativa Negra (BA) e o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares, de Pernambuco – aponta que 90% das 151 pessoas presas com base em câmeras de reconhecimento facial são negrasA Bahia aparece em primeiro lugar com 51% das prisões, seguida do Rio de Janeiro, com 37,1%.

O reconhecimento facial é uma inteligência da qual o governo federal está empenhado em desenvolver e faz parte do pacote de medidas de combate ao crime apresentado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Para isso, foi criada a portaria nº 793 em outubro de 2019, que permite o uso do dinheiro do Fundo Nacional de Segurança Pública para a melhoria do videomonitoramento.

No Brasil, a maioria da população carcerária do Brasil já é negra: 64% considerando homens e mulheres. E esta tecnologia parece prever um aumento nessa taxa. Moro quer colher os dados de presos provisórios ou que ainda não foram julgados. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que 41,5% dos mais de 800 mil detentos tiveram a liberdade cerceada sem condenação.

Claro que tecnologias como estas são sempre bem vindas, mas é importante que atendam a população sem discriminação e sem violência.

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Fotos: Reprodução


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