Entrevista Hypeness

Scarlett Johansson revela como separação na vida real ajudou sua personagem em História de um Casamento

por: Janaina Pereira

Scarlett Johansson conseguiu colocar seu nome entre as estrelas mais reluzentes de Hollywood. Aos 13 anos, protagonizou O Encantador de Cavalos, de Robert Redford, filme que abriu as portas do cinema para a menina loira de olhos expressivos, que arrebataria o público de vez aos 19 anos, em Encontros e Desencontros, de Sofia Coppolla.

São mais de duas décadas dedicadas a arte – além de atuar, ela também já lançou dois discos como cantora – sem nunca tentar fugir do rótulo de musa que a imprensa e os cinéfilos colocaram nela, e que a atriz ‘empresta’ para seus personagens, como a Viúva Negra da franquia Vingadores da Marvel. Aliás, ela não foi a primeira escolha para o papel que a tornou popular. Isso mesmo: Scarlett só virou a Viúva Negra porque a britânica Emily Blunt desistiu de interpretá-la.

Na última edição do Festival de Veneza, Scarlett Johansson lançou o filme que deve lhe render sua primeira indicação ao Oscar: História de um Casamento (Marriage Story), de Noah Baumbach (Francis Ha). O longa foi exibido nos cinemas americanos, já estreou no streaming e lidera as indicações ao Globo de Ouro – são seis, incluindo melhor atriz para Scarlett e melhor ator para seu companheiro de cena Adam Driver – ambos são favoritos.

Na trama, ela interpreta a atriz Nicole, casada com o diretor de sua companhia de teatro (Driver). Eles vivem em Nova York e tem um filho, mas o casamento chegou ao fim, e o divórcio é inevitável. O casal tenta terminar a relação de forma amigável, porém Nicole quer se mudar para Los Angeles e levar o menino, o que dá início a uma série de desentendimentos.

Os diálogos bastante realistas tornam o filme muito comovente, e Scarlett Johansson não escondeu que levou sua experiência pessoal para a personagem – enquanto filmava História de um Casamento ela se divorciava do jornalista Romain Dauriac, seu segundo marido – a atriz também foi casada com o ator Ryan Reynolds.

“Eu estava me separando, então é óbvio que tinha meu ponto de vista sobre o tema. Queríamos construir algo que viesse de um lugar real, então eu e Noah conversamos muito, não só sobre nossas experiências pessoais com o divórcio, mas sobre todo tipo de relações íntimas. Falamos da família, dos nossos pais, de nossos romances passados. Nicole é uma mistura de todas essas coisas”, disse em entrevista durante o Festival de Veneza.

Scarlett contou que, num primeiro momento, o diretor e roteirista Noah Baumbach achou que ela não aceitaria o papel, justamente por estar vivendo uma separação. Mas foi isso que fez com que aceitasse fazer o filme. “Foi uma experiência catártica”, afirma.

Embora a produção seja muito mais generosa com o personagem de Adam Driver – a separação é do ponto de vista dele, que vive uma espécie de alterego de Noah Baumbach – Scarlett brilha. “O filme tem muitas questões. O fato da Nicole ser atriz foi ótimo, porque é um terreno que eu conheço. Tem a dinâmica da família, que acho muito interessante de abordar. E o fato da personagem lutar para se sentir legítima como atriz é o que une e também o que a separa de seu marido”.

Aos 35 anos, duplamente indicada para o SAG (Screen Actors Guild), o prêmio do Sindicado dos Atores – ela concorre também como coadjuvante por Jojo Rabbit, outro filme favorito ao Oscar –  Scarlett Johansson vive grande momento. Em maio de 2020 estreia o filme solo da Viúva Negra mas, até lá, deve figurar na lista de melhores deste ano, graças a sua intensa Nicole de História de um Casamento. A catarse valeu a pena. Pergunto o que ela aprendeu com a separação – a real e a de sua personagem no filme. “Descobri que relacionamentos saudáveis ​​exigem muita compaixão. Esse é o ingrediente secreto”, finaliza.

 

 

 

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Crédito: La Biennale di Venezia


Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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