Diversidade

Sul-africana eleita ‘Miss Universo’ destaca diversidade e fala contra o racismo: ‘Isso acaba hoje’’

por: Karol Gomes


Estamos chegando a 2020 e ainda há quem insista em afirmar que existem graus de beleza na diversidade desse mundão. Bom, pelo menos os requisitos já não são os mesmos de antigamente, como mostra o resultado do concurso ‘Miss Universo 2019’. Negra de pele retinta, a sul-africana Zozibini Tunzi venceu o concurso, realizado em Atlanta, nos Estados Unidos, neste domingo, com 88 candidatas. 

O segundo lugar ficou com Madison Anderson, de Porto Rico. Em terceiro, a mexicana Sofía Aragón.

Zozibini mostrou ainda que os valores das candidatas também estão mudando. Nada daquele discurso superficial das misses de ‘paz mundial‘. Ao receber a coroa, ela foi direto ao ponto e destacou mensagens contra o preconceito, o racismo e o machismo. “É uma honra absoluta representar, como negra e africana, a inclusão e a diversidade”

Ela é a terceira sul-africana a levar o título, após as vitórias de Demi-Leigh Nel-Peters (2017) e Margaret Gardiner (1978). É também a primeira negra a vencer o concurso desde Leila Lopes, angolana que levou a coroa em 2011. Em 68 edições, somente 5 mulheres negras foram eleitas ‘Miss Universo’.

O momento de coração de Zozibini

 

A vencedora de 2019 contou que, quando se sente para baixo, gosta de ouvir ‘Brown Skin Girl‘, da Beyoncé

A vitória também foi muito forte para quem assistia, tanto na platéia, quanto em casa, e se sentiu representado por Zozibini. 

A representante do Brasil, Julia Horta foi classificada entre as 20 mais bonitas, mas não segui para a rodada final. Uma pena, pois ela fez bonito: seu traje típico do país foi uma linda homenagem ao futebol feminino, que merece muito reconhecimento. Júlia até desceu do salto de miss e calçou chuteiras!  

A Miss Brasil Julia Horta desfila no concurso Miss Universo 2019

A mineira ainda aproveitou o momento para protestar contra o feminicídio. 

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O Brasil é internacionalmente conhecido pelo futebol, por isso resolvi representá-lo no Miss Universo. Mas, mais do que isso, quis fazer uma homenagem ao futebol FEMININO, em especial à nossa admirada Marta Silva que é detentora do recorde de títulos de melhor jogadora do mundo, sendo um recorde não só feminino, mas também entre os homens. Não que eu não ame o futebol masculino, sou fã dos meninos também, mas acho que essa singela homenagem ainda é pouco perto do reconhecimento que nossas jogadoras merecem. Nós, mulheres, merecemos ser valorizadas pelo nosso trabalho! Marta usou a Copa Do Mundo deste ano para fazer o seu apelo pela equidade de gênero e agora estou aqui no Miss Universo, a maior plataforma que tive a oportunidade de usar até hoje, fazendo o meu. Queremos direitos e oportunidades, respeito, espaço. Não queremos, não merecemos e não vamos tolerar ser violadas, agredidas, assediadas. O Brasil ainda está no top5 de países em que mais se matam mulheres no mundo. E a violência acontece em todo o canto! Por conta disso, mais uma vez é importante dizer: STOP VIOLENCE AGAINST WOMEN. Gostaria de agradecer ao talentosíssimo artista de Parintins Helerson Maia por tornar esse traje possível. Obrigada por abraçar minha ideia e pela sensibilidade. Agradeço também a @sapatinhodeluxo por estar conosco nessa. Obrigada de verdade!! 💚🙏 Foto: @isaacfreitas_ Beauty: @ffbeleza Traje: @helersondamaia #TorcidaJuliaHorta #MissBrazil #MissUniverse2019 #NationalCostume #StopViolenceAgainstWomen #feminism

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É incrível saber que, cada vez mais, a voz das competidoras estão sendo ouvidas, fazendo com que o concurso ultrapasse as barreiras estéticas. Mas é sempre bom imaginar um futuro em que concursos como esses não sejam necessários para afirmações sobre beleza, não é mesmo?

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Fotos: Divulgação / Be Motion


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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